Falei para Thomaz Bastos cuidar da tosse, conta Lula

Falei para Thomaz Bastos cuidar da tosse, conta Lula

Único político presente na cerimônia de cremação do ex-ministro, petista relata últimas conversas antes da morte do advogado

Igor Gadelha e Ricardo Chapola, O Estado de S. Paulo

21 de novembro de 2014 | 10h10

Atualizado às 11h15

Itapecerica da Serra - Único político presente na cerimônia de cremação do ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, na manhã desta sexta-feira, 21, no Cemitério e Crematório Horto da Paz, em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva contou ter conversado duas vezes com o jurista nos últimos 10 dias, pedindo para ele cuidar da tosse.

"Acho que ele morreu precipitadamente, até mesmo porque nos últimos 10 dias, eu tinha falado com ele duas vezes para cuidar da tosse", afirmou em uma breve entrevista à imprensa após participar da celebração. "Mas ele trabalhava demais. Ele tinha que trabalhar e pensava muito nisso", acrescentou. O ex-ministro morreu nessa quinta-feira, 20, aos 79 anos em razão de complicações pulmonares.

Lula destacou também o legado do jurista em prol da democracia brasileira. "Acho que tem que ver o Márcio não como um advogado, mas como um ser humano, uma pessoa solidária, como um democrata que lutou incansavelmente para que a gente recuperasse a democracia brasileira", afirmou.

O ex-presidente lembrou que o jurista teve "participação ativa" na Constituição de 1988, no impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello. "Era alguém presente em todos os lugares, daquelas que a gente não esquece, que não se cria todo século e toda década", disse, entrando no carro logo seguida.

Lula chegou ao local da cerimônia por volta das 9h40, acompanhado de assessores. Após cumprimentar familiares de Bastos, seguiu para a celebração, que durou cerca de 20 minutos e ocorreu a portas fechadas.

A cremação de fato só deve ocorrer 24 horas após a celebração. A pedido do próprio jurista, ele foi velado e cremado com a mesma beca que usou durante toda a carreira jurídica.

MTB, como era chamado pelos amigos, chamava a peça de "beca da sorte" desde que a vestiu no célebre julgamento dos assassinos do líder ambientalista Chico Mendes - executado a tiros em dezembro de 1988 -, no qual atuou como assistente de acusação. O jurista deixa a esposa, Maria Leonor de Castro Bastos, uma filha, Marcela Bastos, e dois netos.

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