Falcão: PT enfrentará 'maior bloco de força' já reunido

Na véspera da convenção nacional do PT, o presidente nacional da legenda, deputado estadual Rui Falcão, avaliou que o pleito de 2014 deve ser a eleição "mais difícil" para o partido, que tentará reeleger a presidente Dilma Rousseff. O dirigente previu ainda uma disputa polarizada entre PT e PSDB e admitiu que, no quadro atual, o pleito não deve ser resolvido no primeiro turno.

RICARDO DELLA COLETTA E ERICH DECAT, Agência Estado

20 Junho 2014 | 19h45

O Partido dos Trabalhadores realiza neste sábado, 21, convenção nacional para sacramentar o nome de Dilma na disputa pelo Palácio do Planalto. A partir desta data, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva - principal cabo eleitoral da petista - não deve viajar mais ao exterior e terá agenda focada exclusivamente no projeto nacional do PT. Em encontro com jornalistas após reunião do diretório do partido nesta sexta-feira, Falcão deu o tom das críticas que devem prevalecer no encontro de amanhã e marcar a campanha. Ele, no entanto, não quis antecipar o slogan que estará estampado no material de divulgação que estará exposto na convenção.

Para o dirigente, formou-se nesta disputa eleitoral um bloco "de forças muito poderoso" contra o PT, que inclui o "grande capital" e partidos que governam Estados importantes como São Paulo e Minas Gerais (em referência ao PSDB do pré-candidato Aécio Neves), além de parte da imprensa. "Esse é o maior bloco de força que já se reuniu no País para tentar nos derrubar", declarou. "Que investiu contra a Copa do Mundo, que torceu pela volta da inflação, que distribui notícias de mau agouro para criar expectativa negativa na economia", disse.

Falcão ressaltou que, mesmo com essa oposição, Dilma continua na liderança das pesquisas de intenção de voto. Citou o apoio ao PT do movimento sindical, de comunidades de combate ao racismo, de sem terras e do empresariado de produção como armas para a campanha e ressaltou a aliança construída em torno do nome de Dilma. A coligação encabeçada pela atual presidente deve ter o suporte de PMDB, PP, PSD, PCdoB, PTB, PRB, PDT e possivelmente do PR. "Acredito que estamos preparados para enfrentar a eleição apresentando propostas", disse.

A convenção de amanhã deverá ter quatro discursos: do vice-presidente Michel Temer (PMDB), do próprio Falcão, do ex-presidente Lula e da presidente Dilma.

Tom.

Para o presidente nacional do PT, o "tom da campanha" contra o partido ficou claro na quinta-feira da semana passada, quando a presidente Dilma foi alvo de xingamentos por parte do público que compareceu ao jogo de estreia do Brasil na Copa do Mundo. "Um grupo de grande poder econômico xinga a presidente na frente de famílias e crianças, destilando ódio e tentando pautar com isso ganho eleitoral", definiu o dirigente. "Houve quem disse que a presidente colheu o que plantou, meio que aprovando a baixaria contra ela", acrescentou, referindo-se aos dois principais adversários de Dilma, o senador Aécio Neves (PSDB) e o presidente nacional do PSB, Eduardo Campos.

Sem dar detalhes, Rui Falcão disse ainda que o PT vai apresentar ao eleitorado um "novo ciclo de desenvolvimento econômico, mudanças e avanços" para o País, que a polarização da disputa "já está dada" e que o partido vai fazer o comparativo de dois projetos - o iniciado no primeiro mandato de Lula e o dos oito anos de governo do PSDB.

Referindo-se aos tucanos, Falcão disse que eles encampam um projeto que "fala em aumentar a produtividade pela redução de empregos diretos e que não está satisfeito com política de valorização do salário mínimo". Perguntado sobre Campos, que tenta se colocar no debate eleitoral como uma terceira via, Falcão lembrou que ele enfrenta problemas dentro da sua própria aliança e que sua candidatura "ainda não ganhou uma dimensão maior" como ele esperava.

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