Falcão diz que PT faz defesa 'incondicional' do mandato de Dilma

Petista negou ter procurado a presidente afastada Dilma Rousseff para "desfazer qualquer mal-estar"

Vera Rosa, Estadão Conteúdo

06 de agosto de 2016 | 13h17

O presidente do PT, Rui Falcão, negou neste sábado, 6, que tenha procurado a presidente afastada Dilma Rousseff após dizer que considerava "inviável" a realização de um plebiscito para antecipar as eleições presidenciais de 2018. A proposta de consulta popular é um dos principais pontos da carta que Dilma enviará aos senadores, na próxima semana, depois da primeira votação em plenário no julgamento do processo de impeachment.

Em nota, a assessoria de imprensa do PT diz que "ao contrário do divulgado na edição deste sábado no jornal O Estado de S. Paulo e pela Agência Estado", Falcão não procurou Dilma para desfazer qualquer mal-estar. "Até porque a defesa que ele e o PT fazem do mandato legítimo da presidenta Dilma é permanente, firme e incondicional", afirma a nota. Falcão diz ainda que não conversou por telefone com o ex-ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, hoje chefe da equipe de "pronta resposta" de Dilma, mas, sim, com o assessor Giles Azevedo  - braço direito da petista -  "para tratar de outro assunto", que não especifica.

A reportagem do Estado apurou, no entanto, que o presidente do PT telefonou nesta sexta-feira, 5, para Berzoini, que depois conversou com Dilma, na tentativa de superar o problema. Giles e o ex-ministro da Previdência Carlos Gabas estavam no Palácio da Alvorada naquele momento. A presidente afastada está contrariada com declarações dadas por Falcão por avaliar que, neste momento, o partido deveria demonstrar unidade em torno de sua defesa.

A tensão entre Dilma e a cúpula do PT aumentou nos últimos dias. Na terça-feira, 2, em entrevista à revista Fórum, ela disse que o partido precisa admitir erros, do ponto de vista ético, e passar por uma "grande transformação".

Dois dias depois, na quinta-feira, 4, Falcão afirmou que a proposta de plebiscito para antecipar as eleições é “inviável” na prática e não teria o efeito de convencer senadores a votar pelo retorno de Dilma. Para ele, na melhor das hipóteses a nova eleição ocorreria apenas em 2018, quando termina o atual mandato. O que mais aborreceu a presidente afastada foi o fato de Falcão classificar a medida como “artifício para tentar enganar quem não vai ser enganado”, uma vez que ela apoiará a ideia na carta aos senadores.

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