Alex Falcão/Futura Press
Alex Falcão/Futura Press

Falcão diz que 'lista de Janot' não é motivo para punir petistas

Presidente da sigla afirmou que 'ninguém pode ser culpado sem ter o direito ao contraditório, ao devido processo legal e a defesa'

Vera Rosa, O Estado de S. Paulo

26 Fevereiro 2015 | 18h53

Atualizado às 20h00

Brasília - O presidente do PT, Rui Falcão, disse nesta quinta-feira, 26, que a lista de políticos a ser enviada nos próximos dias ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, não servirá de parâmetro para punições no partido, caso algum filiado esteja envolvido no escândalo de corrupção na Petrobrás.

"Envolvimento comprovado (em irregularidades) não é citação em lista de Janot", afirmou Falcão. "Ninguém pode ser considerado culpado sem direito ao contraditório, ao devido processo legal. Uma menção a alguém não significa que ele é culpado. É preciso uma prova cabal", argumentou.

Em reunião que contou com a presença do tesoureiro João Vaccari Neto, a Executiva Nacional do PT decidiu, nesta quinta-feira, desviar o foco da "agenda negativa" imposta pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

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Nem a portas fechadas Vaccari falou sobre a "lista de Janot" ou sobre a CPI da Petrobrás. Durante a reunião da Executiva petista, o tesoureiro pediu aos dirigentes que apertassem o cinto e fizessem economia de gastos, principalmente com viagens, porque o Fundo Partidário do PT diminuiu após a redução do tamanho da bancada do partido na Câmara.

A "lista de Janot" é o termo usado em Brasília para definir a relação dos políticos que devem ser investigados, a pedido do procurador-geral da República, por suspeita de participação no esquema de desvio de dinheiro na Petrobrás.

O tesoureiro do PT foi acusado pelo ex-gerente da estatal Pedro Barusco, em acordo de delação premiada com o Ministério Público, de ser o operador de um esquema que desviou cerca de US$ 200 milhões da Petrobrás, no período de 2003 a 2013, para abastecer o caixa do PT. Vaccari negou a acusação e Barusco foi interpelado judicialmente pelo partido.

"Estou seguro de que filiados ao PT não incorreram em nenhum ato de corrupção. É claro que as pessoas podem falhar, mas, para isso, temos estatuto. O PT tem processo de advertência, suspensão, expulsão, tem um rito legal", insistiu Falcão. "Não vamos nos pautar pela lista de Janot."

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), admitiu, porém, que há grande apreensão com o impacto das investigações sobre o Congresso. "Todos estão preocupados com as consequências que isso possa ter", afirmou ele. O senador chegou a ser citado pelo ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa como beneficiário do esquema. À época, negou com veemência a denúncia e disse estar "à disposição" para abrir os seus sigilos bancário, fiscal e telefônico à CPI da Petrobrás, a Janot e ao ministro do Supremo Teori Zavascki.

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