Falarei após a condenação do bandido Dantas, diz Protógenes

Delegado que comandou Satiagraha diz que o País vive 'uma crise institucional sem precedência na história'

Sandra Hahn, da Agência Estado

17 de novembro de 2008 | 17h15

O delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz afirmou nesta segunda-feira, 17, que, embora encontre a imprensa "ávida" por "dialogar" com ele sobre a  Operação Satiagraha, só irá fazer comentários "após a condenação do bandido, do banqueiro, disfarçado de investidor financista, Daniel Dantas".  Veja também:'Só quero que Dantas seja punido', diz senador alvo de grampo As prisões de Daniel DantasOs alvos da Operação SatiagrahaGaribaldi ameaça dificultar tramitação de MP das filantrópicas  Em entrevista em Porto Alegre, durante ato de solidariedade promovido pelo PSOL, Protógenes disse que o País vive "uma crise institucional sem precedência na história", crise esta que, segundo ele, começou junto com a deflagração da Operação Satiagraha, que coordenou. "No momento, não posso me manifestar sobre o mérito dessa crise, porque estamos no limiar de uma decisão", declarou o delegado na coletiva, ao justificar por que não faria comentários sobre o conteúdo da crise. "Em respeito à decisão do Judiciário e, por acreditar na Justiça brasileira, acredito que logo, logo, vamos ter uma sentença à altura do que a sociedade está esperando, à altura do que nós merecemos deste Judiciário brasileiro", acrescentou, numa referência à decisão que será proferida após quarta-feira (19) pelo juiz Fausto De Sanctis sobre a Satiagraha.  "Após a decisão do doutor Fausto De Sanctis, que vai ser uma sentença condenatória, eu tenho absoluta certeza disso, e eu posso falar, porque eu não sou juiz, eu sou delegado de Polícia e eu sei o que eu coletei nos autos, aí sim eu vou me pronunciar", afirmou ele. O delegado Protógenes foi, acompanhado, durante a entrevista, pela ex-senadora Heloisa Helena, a deputada federal Luciana Genro (PSOL-RS), o presidente do partido no Rio Grande do Sul, Roberto Robaina, e o vereador eleito Pedro Ruas (também do PSOL). Cargos O delegado negou intenção de concorrer a cargos eletivos. "Sou candidato à próxima missão que a Polícia Federal me designar, de preferência que tenha grandes organizações e políticos envolvidos", afirmou, ao ser questionado sobre esta hipótese, depois de participar de entrevista coletiva organizada por dirigentes do PSOL, que hoje promoveram ato de "solidariedade" a ele. O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) disse"prever" que Protógenes será candidato. Indagado sobre para qual cargo o delegado concorreria, Virgílio respondeu que "na cabeça dele, à Presidência da República". Virgílio participou, esta manhã, de evento no Palácio Piratini - sede do Executivo gaúcho - em que a governadora Yeda Crusius (PSDB) anunciou condições de zerar o déficit do Estado em 2008, em vez de em 2009, como era sua meta inicial. Ao comentar a Operação Satiagraha, Virgílio considerou que houve exageros. "Me parece que há exageros que a própria Polícia Federal não assimila", declarou.   

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