João Relvas/EFE
João Relvas/EFE

Falar de impeachment é 'impensável', diz Temer

Em Portugal, vice-presidente afirmou ainda que relações com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, são 'as melhores possíveis'

Rebeca Kritsch, Especial para o Estado

20 Abril 2015 | 15h00

LISBOA - O vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), disse nesta segunda-feira, 20, em Lisboa que é "impensável" discutir o impeachment da presidente Dilma Rousseff. "Eu acho impensável, porque nós temos que ter tranquilidade institucional no nosso País", disse o peemedebista. "Não podemos abalar as nossas instituições democráticas falando desse assunto. Volto a dizer: é matéria impensável."

Temer fez as declarações após encerrar o Seminário Empresarial Brasil-Portugal, em que participaram empresários dos dois países. A fala do vice-presidente ocorre em meio à articulação dos partidos da oposição, que se uniram em torno do movimento de impeachment da presidente Dilma, buscando justificativas jurídicas para viabilizar o processo na Câmara dos Deputados.

O vice-presidente disse ainda que suas relações com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), são "as melhores possíveis" e que o correligionário fez uma declaração "extremamente útil" quando disse não cabe a hipótese de impedimento da presidenta da República.

No domingo, ao participar do 14º Fórum de Comandatuba (BA), maior evento empresarial do País, Cunha afirmou que não aceitaria pedido de abertura de processo de impeachment com base em fatos ocorridos no mandato anterior de Dilma.

"Isto (aceitar o pedido de impeachment) é uma tarefa, digamos assim, do PMDB", afirmou Temer. "O PMDB está nessa posição e o Eduardo Cunha está retratando precisamente esta posição."

Além dos líderes peemedebistas, o próprio ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), na contramão da iniciativa dos partidos da oposição de atuar conjuntamente no movimento pela tentativa de destituição da presidente Dilma Rousseff (PT), se manifestou contra o impeachment nesse domingo. "Impeachment não pode ser tese. Quem diz se houve uma razão objetiva é a Justiça e a polícia. Os partidos não podem se antecipar a tudo isso, não faz sentido. É precipitação", afirmou o ex-presidente tucano no Fórum de Comandatuba.

Sabatina. Questionado se o PMDB está unido em relação à aprovação do jurista Luiz Edson Fachin para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal, Temer disse que ele "é um jurista da melhor qualidade" e que "o Senado estará sensibilizado exatamente para as qualificações jurídicas" de Fachin. Em entrevista publicada pelo Estado nesta segunda, o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE), disse não poder garantir previamente a aprovação do nome do jurista na sabatina.

Manifestações. Temer falou ainda sobre as manifestações no País. "O povo, quando vai às ruas, pede melhorias", disse. "O que nós temos de fazer, abertos ao alerta feito pelo povo, é exatamente atender a esses pleitos."

Pela manhã, o vice-presidente foi recebido em audiência pelo Presidente de Portugal, Aníbal Cavaco Silva. A agenda de Temer também inclui um encontro com o Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho, ainda hoje, e uma reunião com o vice-Primeiro-Ministro, Paulo Portas. De Portugal, Temer segue para a Espanha, amanhã, 21, à noite.

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