Fala de Protógenes amplia suspeita de grampo no STF

Em reunião na PF, delegado admitiu saber de ?gestação? de habeas corpus no Supremo para libertar banqueiro

O Estadao de S.Paulo

15 de novembro de 2008 | 00h00

Em reunião gravada na Polícia Federal no dia 14 de julho, seis dias depois do estouro da Operação Satiagraha, o delegado Protógenes Queiroz - mentor da ação que levou o banqueiro Daniel Dantas para o banco dos réus - disse a um grupo de superiores que haviam decretado seu afastamento do caso: "Nós sabíamos que tinha um HC (habeas corpus) já preparado, já um outro HC, que estava sendo gestado no gabinete no Supremo Tribunal Federal, né? E em escritórios de advocacia. Isso em trabalho de inteligência que nós..."A declaração, atribuída a Protógenes em reportagens da revista Veja e do jornal O Globo, amplia as suspeitas de que o ministro Gilmar Mendes, presidente do STF, foi monitorado no decorrer da Satiagraha.De [DO VALOR]Heidelberg, na Alemanha, onde está em missão oficial e foi informado acerca dos desdobramentos do caso, Mendes disparou ontem mesmo telefonemas a três autoridades brasileiras - Tarso Genro, ministro da Justiça, general Jorge Felix, chefe do Gabinete de Segurança Institucional, e Luiz Fernando Correa, diretor-geral da Polícia Federal.De todos, o presidente do STF cobrou "rápido[/DO VALOR][DO VALOR]s esclarecimentos de todo esse episódio lamentável". Desde antes do inquérito Satiagraha, Mendes tem revelado indignação diante daquilo que rotulou como "Estado policialesco". Publicamente, o ministro já exigiu até do presidente Lula providências para coibir a ação de arapongas. Ele defende mudanças na Lei de Abuso de Poder.[/DO VALOR]A marcação cerrada sobre os movimentos do ministro teria ocorrido em dois momentos distintos, pelo menos - uma conversa sua ao telefone com o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) e um jantar em um restaurante japonês, em Brasília, do qual dois assessores de seu gabinete participaram.Tanto o diálogo com o senador quanto o jantar dos auxiliares de Mendes não o comprometem em nada, mas revelam que ele estava na mira de espiões, provavelmente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).A gravação da reunião evidencia que Protógenes ocultou da cúpula da PF o engajamento de arapongas da Abin na Satiagraha. Na reunião, ele afirmou: "Os agentes da Abin apenas trocaram informações conosco". À mesa estavam os delegados Roberto Troncon, chefe da Divisão de Combate ao Crime Organizado, Leandro Daiello Coimbra, superintendente da PF em São Paulo, e Paulo de Tarso Teixeira, chefe da Divisão de Combate aos Crimes Financeiros.Protógenes alegou que os arapongas se limitaram a checar informalmente endereços dos investigados. Mas a Corregedoria da PF apurou que ele recrutou 84 agentes da Abin para fazer grampos e acessar dados do banco Opportunity.O delegado está fora do País. Seu advogado, Luiz Gallo, disse que não conhece os fatos. "Não falamos de escuta telefônica."Segundo o jornal O Globo, integrantes da Comissão de Sindicância do Gabinete de Segurança Institucional suspeitam que o presidente da Associação dos Servidores da Abin, Nery Kluwe, tenha sido o autor do grampo contra Gilmar Mendes. Kluwe, que teria interesse na demissão de Paulo Lacerda da direção da Abin, negou envolvimento no caso.

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