Fadiga pode ter causado queda de Mirage

Às 11 desta sexta-feira as condições do tempo eram boas no planalto central, e a missão, um vôo de interceptação em vôo de instrução, seria cumprida em 20 minutos pelo piloto do Esquadrão Jaguar, espremido no cockpit de um velho Mirage IIIE/Br da base de Anápolis.Aos 30 anos de uso, mantido em condições operacionais com os recursos de um orçamento cada vez mais apertado, o jato supersônico com o qual a Força Aérea Brasileira (FAB) cumpre o programa de Defesa Aérea das áreas estratégicas do País (por exemplo, Brasília, o centro do poder e das decisões políticas; também todo o complexo industrial e energético da região sudeste; além, claro, dos principais eixos econômicos do centro-oeste, noroeste e centro-norte) sofreu uma pane decorrente da exaustão. A turbina falhou quando deveria entrar em regime de plena aceleração. O piloto conseguiu acionar o assento ejetor. O caça foi destruído.Sucata?É a morte anunciada. Esses aviões deveriam ter sido substituídos por modelos novos há pelo menos cinco anos?, disse nesta sexta-feira à noite um ex-comandante do 1º Grupo de Defesa Aérea (GDA). Líder da unidade em Anápolis durante a fase da última modernização a que foi submetida a frota de Mirage IIIE/Br, em 1990, o oficial aviador defende a retomada imediata da concorrência internacional para renovação dos caças de superioridade da FAB.?A defesa nacional é compromisso social do governo? argumentou, lembrando que o adiamento da licitação, anunciado na primeira semana de janeiro ?terá um efeito multiplicador negativo em todo o processo de reequipamento militar?.O contrato em disputa tem valor inicial de pouco mais de US$ 760 milhões e envolve o fornecimento de 12 a 24 supersônicos. É disputado por fabricantes franceses, russos, americanos e suecos à exceção do grupo dos EUA, todos os outros estão consorciados com empresas nacionais.A decisão de adiar a definição da escolha já havia sido tomada duas vezes durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. O novo alongamento, até 2004, indica que o primeiro avião do novo lote será entregue entre 2007 e 2008. Os velhos Mirages não vão poder esperar.

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