Dado Ruvic/REUTERS
Dado Ruvic/REUTERS

Facebook remove contas por ‘discurso de ódio’ e integralistas reclamam

Segundo Frente Integralista Brasileira, integrantes do movimento receberam notificação de que exclusão é permanente

José Fucs, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2021 | 18h51

Menos de uma semana depois de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro reclamarem de o Twitter ter desativado contas suspeitas de impulsionar conteúdo de forma artificial na plataforma, a Frente Integralista Brasileira (FIB) protestou nesta sexta-feira, 18, contra a remoção de suas páginas e de “milhares” de perfis de dirigentes e simpatizantes do grupo no Facebook e no Instagram. 

Em nota oficial divulgada em seu site, a FIB diz que, na quarta-feira, 16, vários integrantes do movimento, “com perfis lícitos, informações verdadeiras e seguindo todas as práticas determinadas (e reconhecidas pelos usuários)”, tentaram reativar suas contas e receberam como resposta a informação de que a exclusão não poderá ser revista. 

Segundo o Estadão apurou, a remoção das contas dos integralistas pelas duas plataformas, controladas pela Facebook Inc., com sede em Menlo Park, na Califórnia (EUA), efetivamente ocorreu, embora não haja confirmação do total de páginas e perfis excluídos, e se deu em decorrência da publicação e do compartilhamento de conteúdo que promove o “discurso de ódio”. 

“Nos últimos anos, organizações diversas e figuras públicas relevantes foram banidas desta e de outras plataformas com o argumento de que violaram políticas e termos de uso — alterados a todo o momento por conveniência econômica e publicitária pelos burocratas da Califórnia, a fim de enquadrar opositores ao pensamento libertário e neo-marxista que domina o Vale do Silício”, afirma a nota divulgada pela FIB, principal organização de defesa do integralismo em atividade no País. 

“Nunca consideramos as ‘redes sociais’ como meio prioritário de comunicação para nosso movimento. Em razão disso, jamais fizemos a divulgação de nossos atos, pensamentos, debates e decisões nestas plataformas, pois sempre consideramos que representam riscos à segurança pessoal, à segurança de nossas instituições, à liberdade, ao direito brasileiro e inclusive à segurança nacional.” 

Mesmo que a FIB e seus integrantes e apoiadores não publicassem nas redes tudo o que pensam e o que o movimento representa, como diz a nota divulgada pela entidade, o que eles compartilhavam nas redes foi o suficiente para o time de política de conteúdo do Facebook entender que eles estavam infringindo as normas estabelecidas para os usuários das plataformas.

De acordo com o Paulo Henrique Sales, tesoureiro e chefe do departamento de imprensa da FIB, a entidade não tem uma posição definida em relação a possíveis alterações no Marco Civil da Internet, em discussão no Congresso e defendidas por Bolsonaro e muitos de seus apoiadores, com o objetivo de exigir que a remoção de páginas e perfis das redes sociais só possa ser feita com autorização judicial. 

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