Fabricantes de genéricos terão apoio do BNDES

Laboratórios e redes de farmácias interessados em produzir e distribuir remédios genéricos vão contar com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O anúncio foi feito hoje pelo ministro da Saúde, José Serra, ao participar do lançamento do Grupo PróGenéricos, entidade criada pelos 17 fabricantes de genéricos do País para ampliar as vendas desse tipo de medicamento.Serra informou já ter conversado sobre o apoio do BNDES com o presidente Fernando Henrique Cardoso e o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alcides Tápias, que teria demonstrado "enorme interesse". A idéia é que cada empresa apresente seu projeto para análise caso a caso. "Havendo projeto, nós faremos força para apoiá-lo", afirmou o ministro da Saúde.Lançados em fevereiro do ano passado, os genéricos respondem por apenas 1,6% do total de unidades vendidas no País. Isso representa 1% do faturamento do setor, que ficou em cerca de R$ 15 bilhões em 2000, segundo o vice-presidente do Sindicato da Indústria Farmacêutica no Estado de São Paulo (Sindusfarma), Gabriel Tannus. A meta do PróGenéricos, nos próximos três anos, é abocanhar 30% do faturamento e suprir 50% do total de medicamentos vendidos.Mas, para isso, será preciso convencer os médicos brasileiros a receitarem genéricos - que têm o mesmo princípio ativo, produzem os mesmos efeitos e custam, em média, 40% menos do que os remédios de marca. "Tudo o que é novo enfrenta resistência", observou o presidente do PróGenéricos, Carlos Sanchez. Ele defendeu ainda a ampliação dos centros para exames de bioequivalência, que atestam a qualidade do produto e atualmente podem demorar mais de um ano para ficar prontos. Sem o exame não é possível lançar o genérico.O grupo pretende realizar campanhas entre os médicos para difundir o uso dos medicamentos mais baratos. "O envolvimento da classe médica precisa melhorar muito", disse Sanchez. O problema é que os custos com publicidade não podem ser elevados, uma vez que o atrativo dos genéricos é justamente o preço menor.Estão registrados no Ministério da Saúde 194 medicamentos genéricos, dos quais 178 já à venda. A meta do governo de atingir 150 registros até dezembro do ano passado foi superada, mas a situação no Brasil está longe ainda da vivida em países desenvolvidos, onde os genéricos respondem por quase metade do mercado - em termos de unidades."A oferta de genéricos está muito aquém do mínimo desejado", admitiu Serra, que foi presenteado durante a cerimônia com uma estatueta do personagem dom Quixote - criado pelo escritor espanhol Miguel de Cervantes -, cuja principal característica é a luta por causas consideradas impossíveis. Serra lembrou que em fevereiro de 2000, apenas 13 produtos estavam registrados."A redução de custos na saúde, no Brasil, tem de ser uma obsessão", disse o ministro. A partir de abril, 2.700 remédios similares, vendidos com base no nome do princípio ativo, deverão adotar o nome de marca ou realizar teste de bioequivalência para transformarem-se em genéricos. O objetivo é evitar a confusão entre similares e genéricos, que utilizam o nome do princípio ativo.Nos próximos meses o governo deverá também definir normas para destacar as embalagens de genéricos nas farmácias.Os laboratórios que fazem parte do PróGenéricos são: Biolab Sanus, Biosintética, Cristália, Eurofarma, Farmasa, Knoll, Luper, Mantefarma, Medley, Merck, EMS, NeoQuímica, Novartis, Sanval, Teuto, União Química e Ranbaxy.

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