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Fábio Faria participa de evento de igreja nos EUA com blogueiro foragido

Ministro das Comunicações diz que não sabia que Allan dos Santos, que recebeu ordem de prisão no dia 5 de outubro, estaria no local

Levy Teles, O Estado de S.Paulo

09 de janeiro de 2022 | 19h28

O ministro das Comunicações, Fábio Faria, participou de um encontro evangélico e conservador no Estado da Flórida, nos Estados Unidos, na noite de sexta-feira, 7, ao lado do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos, considerado foragido da polícia brasileira nos Estados Unidos. 

O ministro foi um dos convidados do evento Governe Conference, que discutia política e religião. Além dele e do blogueiro, estiveram presentes o vereador de Belo Horizonte Nikolas Ferreira (PRTB-MG), o deputado federal Lucas Gonzalez (Novo-MG), o neto de João Baptista Figueiredo — último presidente da ditadura militar — Paulo Renato de Oliveira Figueiredo Filho, pastores e o ex-campeão mundial pela seleção brasileira de futebol Rivaldo

No evento, Faria atacou políticos de esquerda e afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pré-candidato pelo PT à Presidência, tem um projeto para perpetuar-se no poder. Para ele, “político de esquerda só pensa na próxima eleição”.

O ministro também aproveitou para dialogar com os evangélicos. Ele disse que se converteu no final de 2018 e afirmou que as pessoas só descobriram o que é direita e esquerda por causa do presidente Jair Bolsonaro.

“O conceito de direita e de esquerda só surgiu quando veio um político conservador e agora temos um presidente conservador”, disse Faria. “Ninguém sabia o que era direita e esquerda e vocês sabiam. Eu não sabia.”

Em nota, o ministro disse que foi convidado para discursar num evento de um pastor de uma igreja que ele e a família frequentam em Orlando. "Se eu soubesse que ele (Allan dos Santos) iria, eu não teria comparecido",  afirmou.

Inquérito

Allan dos Santos está nos Estados Unidos desde que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou prendê-lo no dia 5 de outubro.  Moraes determinou a prisão no inquérito das milícias digitais, e indicou que o nome do blogueiro bolsonarista deve ser incluído na lista de Difusão Vermelha da Polícia Internacional (Interpol) para "viabilizar sua prisão, neste País ou em outro". 

Na representação encaminhada ao Supremo, a delegada da PF Denisse Dias Rosas Ribeiro pediu a prisão preventiva de Allan com base na prática frequente dos crimes de ameaça, ataques contra a honra e incitação à prática de crime, assim como a participação de organização criminosa.

O blogueiro é investigado em dois inquéritos: o de fake news e atos antidemocráticos. Na internet, foi banido do Twitter, do Facebook e do Youtube e teve o blog Terça Livre encerrado. Ele ainda mantém uma página no  aplicativo Telegram, em que tem 121 mil seguidores.

"Eu estou aqui livre por conta das leis americanas", disse Allan dos Santos. "Porque se fosse pelas leis brasileiras, por aqueles que aplicam as leis brasileiras, estaria em desfavorecimento enquanto o narcotraficante, que fez a saidinha de Natal, está com a família." 

Na plataforma, Allan disse que o propósito era “vencer o comunismo pela força da cruz”. No evento, o blogueiro afirmou que há um cenário de guerra e que, de um lado, há psicopatas, assassinos, ladrões, satanistas; do outro, há gente “normal”.

 

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