FAB vai renovar frota com US$ 700 milhões

A garantia de transferência de tecnologia será um dos itens fundamentais na escolha da empresa que venderá para a Força Aérea Brasileira (FAB) os novos aviões supersônicos. O Brasil dispõe de US$ 700 milhões, para comprar uma frota de 24 caças, a ser incorporada à Aeronáutica até 2005, quando os atuais Mirage saem de operação.O chefe do Estado-Maior da Aeronáutica, brigadeiro José Marconi, informou que a Força indicará o avião a ser adquirido pelo governo brasileiro seguindo critérios técnico-operacionais.?Decisões políticas a serem tomadas não são da competência da Força Aérea, e, portanto, não nos cabe opinar?, afirmou o brigadeiro. José Marconi espera que os contratos com a firma vencedora sejam assinados no primeiro semestre do ano que vem, para evitar atrasos na entrega, que ele espera que ocorra até 2004.Depois do recebimento das aeronaves, ainda haverá necessidade de treinar pilotos e técnicos para voar no avião escolhido. ?Todo esse processo de adaptação demanda tempo, e precisamos estar aptos para a os aviões?, comentou o chefe do Estado-Maior.Ele defende a necessidade de transferência de tecnologia como uma premissa básica para o País continuar se desenvolvendo neste setor. Segundo o brigadeiro, isso não significa que a Dassaud, fabricante do Mirage, que se associou à Embraer, tenha preferência no processo de escolha.?A transferência de tecnologia pode vir de qualquer empresa, não precisa ser só com o Mirage?, observou. No dia primeiro de agosto, a Aeronáutica vai encaminhar aos fabricantes que possuem aviões que podem interessar ao Brasil as perguntas que devem ser respondidas por essas empresas.Nove indústrias aeronáuticas já estão cadastradas para receber as indagações da Força, mas outras ainda poderão ser incluídas, podendo-se chegar a um total de 12 empresas interessadas.As perguntas são divididas em quatro pontos que abrangem aspectos operacionais, de logística, transferência de tecnologia e de financiamento. Entre as questões operacionais a FAB quer saber, por exemplo, o alcance de cada avião, autonomia, precisão, consumo de combustível, entre outros que definam a sua performance e desempenho.No caso da logística, os militares querem saber qual o custo operacional de cada aeronave, como e onde devem ser feitas as revisões, dificuldade de se conseguir suprimento e o custo da hora de vôo. No ítem transferência de tecnologia, a Aeronáutica quer checar que tipo de compensação cada país ou cada empresa, se vencedora, irá oferecer ao Brasil, chamada de offset.Essas compensações ocorrem a partir de acordos firmados entre os governos e os fornecedores externos, em benefício de desenvolvimento nas áreas comercial, industrial e tecnológica.Essa contrapartida é fundamental e será um dos pontos primordiais na hora de negociar os contratos. O quarto ponto de interesse do País é o econômico-financeiro, que envolve financiamento, prazo de entrega, preço das aeronaves e dos suprimentos.A Aeronáutica, no momento da negociação, espera tentar chegar a um número superior a 24 aeronaves a serem adquiridas pela FAB, como se cogitou a princípio.O quinto ponto a ser analisado pelo governo brasileiro é o aspecto político, que envolve os interesses do País. Nesta discussão, a Aeronáutica não entra, de acordo com informações do brigadeiro Marconi.

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