Ed Ferreira/AE
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FAB resgata 33 brasileiros vítimas de ataque no Suriname

Maioria dos que embarcaram para Belém, no entanto, pretende retornar ao país vizinho para trabalhar

Felipe Recondo,

30 de dezembro de 2009 | 20h32

Um avião da Força Aérea Brasília (FAB) resgatou nesta terça-feira, 29, 33 brasileiros que estavam em Albina, cidade a 150 quilômetros da capital do Suriname, no último dia 24, quando um grupo de maroons, os quilombolas que vivem na região, atacaram garimpeiros e brasileiros que trabalhavam na cidade.

 

Mas muitos dos que partiram nesta quarta-feira avisaram que voltarão ao Suriname assim que a situação se normalizar no País. Os garimpeiros e outros brasileiros que viviam indiretamente do dinheiro do garimpo em Albina afirmam que é melhor retomar a vida no Suriname do que buscar trabalho no Brasil. Eles afirmam, por exemplo, que conseguem, em um mês, tirar US$ 1.200 no garimpo - sem precisar pagar impostos - enquanto no Brasil, com o baixo nível de escolaridade e a falta de oportunidades recebem por volta de R$ 400 a R$ 500.

 

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Reginaldo Rodrigues confirmou que está viajando para tirar novos documentos no Brasil. Na fuga de Albina, Reginaldo Rodrigues deixou todos os seus papéis para trás. "Vou tirar esses documentos e vou voltar. O salário no Brasil é muito baixo", justificou. "Aqui nós temos uma casa alugada e mobiliada. Nós vivemos bem", disse Rodrigues, que é casado com uma mulher que também trabalha no garimpo.

 

Mesmo quem está indo para o Brasil com a ideia de não voltar ao Suriname, admite a possibilidade de mudar os planos no futuro, o que dependerá das dificuldades que vier a encontrar no Brasil. "Sempre a gente diz que não vai voltar, mas quando a situação aperta, nós estamos aqui de novo", afirmou Valdecir Santos de Sousa. "Todo ano é a mesma coisa. Alguns vão para o Brasil dizendo que não voltam mais e no outro ano está todo mundo aqui de novo", criticou Carlos Gonçalves, há oito anos trabalhando com o garimpo no Suriname.

 

Funcionários da Embaixada do Brasil reconhecem que o retorno dos brasileiros é inevitável. Argumentam que não podem impedi-los de voltar ao Suriname. Inicialmente a Embaixada estimava que vinte brasileiros se disporiam a retornar ao Brasil no voo da FAB, mas diplomatas que estão no País fizeram peregrinação pelos hotéis em que estão hospedados as vítimas do ataque em Albina na tentativa de convencê-los a voltar para o Brasil. O voo da FAB de ontem foi o segundo a levar para o Brasil as vítimas do ataque em Albina.

 

Na segunda-feira, um avião da FAB levou para Belém cinco garimpeiros. Com esse novo voo, 38 vítimas do ataque a garimpeiros já voltaram ao Brasil. A maioria das vítimas, porém, permanece em Paramaribo. No total, mais de 100 vítimas foram atendidas com o auxílio da Embaixada brasileira.

 

Guiana Francesa

 

De acordo com os que permanecem em Paramaribo, existem ainda brasileiros escondidos em Albina e muitos desaparecidos. Pelo relato de algumas vítimas, há garimpeiros que estão na Guiana Francesa recebendo atendimento médico. A Embaixada do Brasil no Suriname confirma que pelo menos quatro pessoas foram transferidas daquele país para o território surinamês nos últimos dias. Uma dessas vítimas é Joene Arruda dos Santos, de 22 anos.

 

Grávida de sete meses, ela contou que se jogou no rio Maroni - que separa a Guiana Francesa do Suriname - para fugir do ataque dos quilombolas. Salva por índios que moram na Guiana, Joene foi atendida num hospital francês. Com ela, também foi salva e levada para a Guiana Deniclea Furtado. Ela conta que enquanto esteve no hospital ouviu relato da identificação de corpos de brasileiros vítimas dos ataques. Nem o governo da Guiana nem as autoridades do Suriname e nem a Embaixada brasileira confirmam a existência de mortos.

 

 

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