FAB julga suficiente número de controladores, diz Chinaglia

O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP)disse, na saída do almoço com o Alto Comando da Aeronáutica, nesta segunda-feira, 2, que a corporação afirmou que há no Brasil controladores de vôo em número suficiente, que não há ponto cego na rota e que o número de radares é superior ao existente em qualquer outro país da América Latina. Ou seja, foram rebatidas as críticas que vêm sendo feitas ao controle aéreo no País desde o acidente da Gol, em setembro do ano passado.Segundo Chinaglia, durante o encontro, ele e o líder do PSDB na Câmara, Julio Redecker (RS) fizeram uma série de questionamentos ao comandante da Aeronáutica, o tenente-brigadeiro Juriti Saito, na tentativa de obter informações para solucionar a crise aérea que vem atingindo o País.Sobre a quebra de hierarquia, reclamada pelos militares, depois que o governo negociou com os controladores de vôo, Chinaglia disse que em nenhum momento os oficiais tocaram no assunto. Ele lembrou, no entanto, que "o chefe maior é o presidente da República".Mas para o líder tucano, Julio Redecker, que também participou do almoço, a quebra de hierarquia "é um precedente perigoso na história do País". Ele disse acreditar, porém, que as Forças Armadas saberão entender o posicionamento do governo diante da greve dos controladores que paralisou o país, na última sexta-feira.Segundo Redecker, o Comando da Aeronáutica assegurou que os equipamentos são suficientes, assim como o número de controladores e que o Brasil pode ter confiança no sistema. Mas observou que não há controle se houver greve ou motim. Redecker disse que no almoço ele e Chinaglia deram sugestões para minimizar problemas nos aeroportos brasileiros, como o descongestionamento do tráfego de Congonhas, em São Paulo, e em Brasília e a limitação de vôos particulares na capital paulista. Questionado sobre como o comando reagiu às sugestões, o deputado disse que "educadamente". AtritosNa última sexta-feira, os sargentos controladores de vôo do Cindacta-1 (centro de controle de tráfego aéreo em Brasília) entraram em greve. A paralisação gerou atrasos e criou uma situação caótica nos aeroportos brasileiros. Em represália, o comando da Aeronáutica decidiu prender os amotinados. No entanto, o presidente Lula impediu a prisão e abriu uma crise entre os militares. Para oficiais-generais ouvidos pelo Estado, a ordem presidencial ?maculou? a hierarquia e a disciplina, pilares das Forças Armadas. Na visão dos militares, a ordem de suspender as prisões dos amotinados foi um duro golpe na Força Aérea, uma desautorização que provocou desgaste coletivo - já que todos os integrantes do Alto Comando haviam se dirigido ao Cindacta com Saito para apóia-lo na prisão, mas acabaram deixando a unidade militar porque um ministro civil (Paulo Bernardo, do Planejamento) estava assumindo as negociações. Apesar do alívio do governo com o acordo feito com os controladores de vôo em Brasília, militares advertem que este é só o começo de um longo caminho, que o Planalto não tem idéia do quão tortuoso poderá ser. A maior preocupação dos militares é com o efeito cascata da decisão de não punir os amotinados, não só na própria Aeronáutica, como nas demais Forças. A desautorização gerou protestos também no Clube de Aeronáutica, entidade composta majoritariamente por militares da Força Aérea Brasileira na reserva. O clube enviou, no último domingo, mensagem aos seus associados atacando duramente o governo. Assinada pelo seu presidente, o tenente-brigadeiro do Ar, Ivan Frota, o Clube ameaça entrar no Supremo Tribunal Federal (STF) com Ação Direta de Inconstitucionalidade contra as decisões do presidente Lula de não punir os controladores rebeldes e desmilitarizar o controle do tráfego aéreo, e denunciá-lo por crime de responsabilidade. (Colaboraram Tânia Monteiro e Fábio Graner)

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