Alexandre Auler/Estadão
Alexandre Auler/Estadão

Extradição de Henrique Pizzolato é tema bilateral há meses

Reuniões entre Brasil e Itália para que brasileiro cumpra pena no País somam-se a pressão de associação de vítimas do terrorismo

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

14 Fevereiro 2015 | 02h02

MÓDENA - As negociações sobre o destino do ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, condenado por envolvimento no mensalão, começaram antes de a Corte de Cassação de Roma ter autorizado a extradição do brasileiro para o Brasil, na noite de quarta-feira. Desde o fim do ano passado, os governos do Brasil e da Itália mantêm reuniões sobre o assunto. Na manhã de anteontem, Pizzolato entregou-se à polícia italiana em Maranello e está preso na prisão de Sant'Anna, em Módena.

Pizzolato, que tem cidadanias brasileira e italiana, foi condenado a 12 anos e sete meses de prisão no Brasil. Mas, há um ano e cinco meses, fugiu para a Itália com um passaporte falso. Em primeira instância, a Corte de Bolonha negou sua extradição argumentando que as prisões brasileiras não têm condições de recebê-lo. Mas, nesta semana, a Corte de Cassação reverteu a decisão, autorizou a extradição e mandou prendê-lo.

O Ministério da Justiça da Itália deve anunciar se extradita Pizzolato para o País ou não em 45 dias. A assessoria da pasta de Andrea Orlando reiterou que "a decisão será política".

Vítimas. A primeira manifestação pública a favor da extradição de Pizzolato ocorreu ontem. Famílias de vítimas do terrorismo na Itália se mobilizaram, por meio da Associação Italiana de Vítimas do Terrorismo, para fazer o lobby pela "troca" entre Pizzolato e o ex-ativista italiano Cesare Battisti, foragido no Brasil. A entidade espera que Pizzolato seja uma "oportunidade" para tirar o Brasil de uma posição de "imobilismo" no caso de Battisti. O italiano foi condenado na Itália à prisão perpétua por assassinatos. Ele foi membro do grupo Proletários Armados pelo Comunismo, com atuação no fim dos anos 1970.

"Um ato de reciprocidade na extradição deve ser absolutamente necessário", declarou Luca Guglielminetti, diretor internacional da entidade. "O caso Battisti ainda não está encerrado. Não apenas para as vítimas do terrorismo na Itália, mas para toda a opinião pública italiana", disse o diretor.

Segundo Guglielminetti, o governo de Mateo Renzi, primeiro-ministro, e Andrea Orlando precisa ter "sensibilidade e autoridade" para avaliar a situação. "Apenas podemos tomar nota da fraqueza do ministro", afirmou Guglielminetti, em referência à postura do governo italiano em não relacionar os dois casos.

Negociação. Reuniões de representantes de Brasília foram realizadas em diversos ministérios italianos, principalmente na chancelaria e no Ministério da Justiça.No Parlamento italiano, o tema também é alvo de discussões. "Essa é a hora do lobby", declarou a deputada brasileira no Parlamento, Renata Bueno. Ela tem atuado dentro do Executivo italiano em defesa da extradição. Na semana que vem, ela tem previsto falar com o próprio primeiro-ministro Mateo Renzi sobre o caso.

O governo brasileiro pretende repassar a conta de R$ 224 mil das despesas com advogados e tradução de documentos a Pizzolato.

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