Expulsões de políticos no ES ficam apenas na promessa

Acusado de ser um dos chefes do crime organizado no Espírito Santo, o presidente da Assembléia Legislativa capixaba, deputado José Carlos Gratz (PFL), é uma prova de que as promessas dos partidos de expurgarem de seus quadros políticos "sob suspeita" são apenas discurso de campanha. Em plena corrida eleitoral, a idéia não tem sensibilizado dirigentes. Políticos investigados podem até ganhar cacife. Há cerca de três anos, o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), havia prometido "atuar com rigor em todos os casos de filiados com acusação de postura não ilibada." E dizia que "receberiam atenção especial os Estados em que o processo político trouxe à tona pessoas que não se recomendam". Naquele período, o PFL vivia dias difíceis. Foram cassados dois deputados do partido: Hildebrando Pascoal (AC), por mentir aos colegas ao negar seu envolvimento com o narcotráfico, e Talvane Albuquerque (AL), acusado de matar a deputada Ceci Cunha (PSD-AL). Bornhausen diz que transferiu toda a responsabilidade do caso de Gratz para o deputado José Carlos Fonseca, presidente do PFL capixaba. "Quero dizer que nunca vi, não conheço e nunca conversei com esse senhor", afirma Bornhausen. Fonseca, por sua vez, alega que cabe ao eleitor decidir, em outubro, se Gratz deve ou não ter mandato. "Não temos intenção de fazer caça àsbruxas", alega. Sem ética - Para o professor de Ciência Política da Universidade de Brasília (UNB), David Fleischer, a situação não é diferente em outros partidos. "O que prevalece é a vontade de eleger o maior número de filiados, não a ética", afirma. Outro ponto que inibe o anunciado expurgo, explica o professor, é o fato de quase todos os partidos terem entre os seus integrantes pessoas de reputação questionável. O PMDB, por exemplo, nada faz com relação às denúncias de corrupção existentes contra o ex-presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA). Outro peemedebista, o deputado Ronivon Santiago (AC), renunciou em 1997 para não ser cassado por envolvimento na compra de votos para aprovação da emenda da reeleição. Cinco anos depois, ele está em campanha e deve ter novo mandato. Jader também deve estar de volta à vida pública no ano que vem, eleito deputado, com ampla margem de votos. Mesmo destino aguarda seu algoz, o pefelista baiano Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que dificilmente será derrotado na pretensão de ganhar um mandato de senador novinho em folha. O retorno de políticos sob suspeita, pela vontade do eleitor, derruba a tese do líder do PDT, deputado Miro Teixeira (RJ), de que aumenta cada vez mais a capacidade da população de diferenciar os candidatos íntegros dos desonestos. "Percebo que as comunidades do Rio se rebelam e não elegem eventuais candidatos apoiados por traficantes", insiste Miro.

Agencia Estado,

21 Julho 2002 | 22h27

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