Exploradores driblam barreiras da PF

Reserva tem 27 mil quilômetros quadrados, maior que Estado de Alagoas

O Estadao de S.Paulo

10 de novembro de 2007 | 00h00

Menos de 5% dos diamantes extraídos ilegalmente na Reserva Roosevelt são apreendidos, segundo estimativa do Ministério da Justiça. Na tentativa de cortar o suprimento de óleo diesel, equipamentos e utensílios para o garimpo, a Polícia Federal montou quatro barreiras fixas e mantém vigilância móvel, desde o massacre de 2004, ao longo de 200 quilômetros nas bordas da reserva. A tarefa é ingrata: o território da reserva é de 27 mil quilômetros quadrados, maior do que o Estado de Alagoas. Ali estão nove aldeias da etnia cinta-larga, quatro delas em volta do garimpo do Rio Roosevelt."Sabemos que não dá para coibir totalmente, então nosso objetivo é dificultar ao máximo o acesso, sufocando o abastecimento de óleo diesel e equipamentos para o garimpo nas principais estradas que levam às aldeias", explicou o delegado Rodrigo Carvalho, chefe da Operação Roosevelt, montada há três anos na região. O garimpo trouxe com ele uma cadeia de crimes, sobretudo violência e roubos, além de prostituição, alcoolismo e drogas.Há 25 anos na região, 19 em Espigão, o comerciante Anildo Simas, dono da única mercearia próxima da Reserva Roosevelt, ficou satisfeito com a redução da violência, mas em contrapartida viu seu lucro despencar brutalmente. Dos 100 clientes em média que passavam por dia na mercearia, restaram cinco escassos fregueses, quase sempre índios. Para agravar o quadro, os índios empobreceram com a redução do garimpo e deixaram de pagar as contas, penduradas por meses. A dívida dos índios só na mercearia, segundo Anildo, chegou a R$ 32 mil. "Ultimamente eles retomaram o pagamento, mas aos poucos", diz o comerciante, explicando que parou de vender fiado. Os fazendeiros e outros freqüentadores da região criaram atalhos para não passar nas barreiras da PF, onde são submetidos a minuciosas revistas em cada uma delas.Desde que a febre do diamante começou, em 2000, foram realizadas três grandes evacuações da área. Na maior, em 2001, foram retirados 5 mil garimpeiros de uma vez. Outras grandes retiradas ocorreram em 2002 e 2003. A partir de 2004, o cerco virou permanente com a criação de uma força-tarefa pelo governo federal. Mas pouco tem adiantado: o garimpo sempre volta, porque interessa aos índios, conscientes do potencial de riqueza sob seus pés. Desta vez, foram abertas várias estradas clandestinas na selva para burlar os postos de fiscalização da Polícia Federal. A cada operação, os índios aproveitam para se livrar da sucata do garimpo, utilizando os guindastes e tratores do governo para mandar para fora equipamentos imprestáveis, como escavadeiras e motores quebrados, além de velhos tambores de estocar combustível. O material, empilhado ao lado do posto montado pela força-tarefa na entrada da Aldeia Roosevelt, virou um estorvo e fonte de proliferação de mosquitos transmissores de doenças, como a dengue.São 300 toneladas de tralhas, que dependem de autorização judicial para ir a leilão. "Eles (os índios) aproveitam essas ocasiões para se livrar do lixo, mas o maquinário novinho fica dentro da reserva", diz um policial que participou das remoções.

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