Explicações de secretário executivo foram 'razoáveis', diz ministro do Trabalho

Investigação da PF, que apura denúncias de prejuízos de R$ 400 milhões aos cofres públicos, causou exoneração de dois servidores, mas número 2 foi mantido no cargo

O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2013 | 14h39

O secretário executivo do Ministério do Trabalho, Paulo Roberto dos Santos, foi mantido no cargo porque apresentou explicações "razoáveis" sobre as denúncias de fraudes na pasta, afirmou nesta terça-feira, 10, o titular do ministério, Manoel Dias. O número 2 do Trabalho chegou a ser conduzido coercitivamente à PF nessa segunda, 9, quando foi deflagrada a Operação Esopo, que investiga o caso. Outros dois servidores foram afastados.

 

A Polícia Federal apura o envolvimento de servidores públicos no suposto esquema de fraude de processos de licitação que favoreceria o Instituto Mundial de Desenvolvimento e Cidadania (IMDC), tipo de ONG criada pela iniciativa privada, que pode fechar contratos para prestar serviços públicos. O esquema teria causado prejuízo de ao menos R$ 400 milhões aos cofres públicos federais, estaduais e de cidades de 11 Estados e do Distrito Federal.

 

Em entrevista à Rádio Estadão, o ministro Manoel Dias afirmou que não havia motivos que justificassem o afastamento do secretário executivo. "Pedi explicações e as explicações foram razoáveis. O que eu quero agora é tomar conhecimento é das razões pelas quais foram estabelecidas esse inquérito", disse o ministro.

 

Paulo Roberto era secretário executivo da pasta na gestão de Carlos Lupi (PDT) e voltou ao cargo na gestão do atual ministro, também do PDT, depois de ter sido dispensado pelo então ministro Brizola Neto. Foi ainda ministro interino da pasta entre dezembro de 2011 e maio de 2012. "Por (ele) ocupar cargo importante, eu tenho que ter provas que realmente me convençam ou que determinem que ele precise ser afastado", explicou Manoel Dias.

 

O ministro afirmou também que a pasta não mantém contratos diretos com o IMDC. Segundo ele, os convênios são feitos com Estados e municípios, aos quais caberia a realização da licitação e a fiscalização dos serviços.

 

Na lista de envolvidos na investigação da PF também estão Anderson Brito, assessor de Dias; o presidente do Instituto Mundial de Desenvolvimento e da Cidadania (IMDC), Deivson Oliveira Vidal; Simone Vasconcelos, ex-diretora financeira da SMPB, que tem como sócio o empresário Marcos Valério e condenada no mensalão; além de servidores públicos, empresários e ex-prefeitos.

 

Foram exonerados Anderson Brito e Geraldo Riesenbeck, então coordenador-geral de Contratos e Convênios da Secretaria de Políticas Públicas de Emprego. As exonerações foram publicadas no Diário Oficial da União desta terça.

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