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Eliane Cantanhêde
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Expertise de Bolsonaro: desviar de culpas e responsabilidades e sempre se sair bem

Na campanha, presidente tem um adversário implacável, a rejeição

Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2022 | 03h00

O presidente Jair Bolsonaro é isso que sempre foi, os erros em série são absurdos e a imagem do Brasil no mundo vai ladeira abaixo, mas ele chegou à Presidência da República porque é bom de campanha, não tem limites, viajou a todos os cantos do País e sabe surfar na onda certa.

Jogou o discurso de 2018 fora, mas viaja pelo País, tem tropa, estratégia, instrumentos de poder e zero prurido em usá-los a seu favor. E mais: sabe manipular a internet e a realidade, fazendo de limões limonadas.

Famílias choram os 670 mil mortos pela covid, mas o pior da pandemia, aparentemente, passou e o discurso bolsonarista está prontinho: se ele trabalhou contra isolamento, vacinas e máscaras, isso é o de menos, o fundamental é que a vacinação é um sucesso. Ah! E não fez mais por “culpa do STF”.

Na guerra da Ucrânia, Bolsonaro falou em “solidariedade” à Rússia, “neutralidade” e “parceria” com Vladimir Putin. Lavou as mãos, como fez diante da covid e das chuvas na Bahia, mas o discurso também está pronto: o Itamaraty votou na ONU contra a Rússia e o governo libera verbas para Estados afetados pelas enchentes.

A gasolina? Bem, o que ele pode fazer? Se a “culpa” na pandemia foi do STF, de governadores, prefeitos e mídia, agora é da Petrobras, que “atrapalha”. O fato de ser (ainda) presidida pelo general Joaquim Silva e Luna, muito respeitado entre militares e civis, poderia ser um complicador. Que nada!

Se o capitão insubordinado destratou o vice-presidente, demitiu o ministro da Defesa e os comandantes de Marinha, Exército e Aeronáutica, todos de quatro-estrelas, que diferença faz demitir mais um? O Centrão é que importa.

Bolsonaro também libera dinheiro para pobres, empresas, evangélicos e sabe manter unida outro tipo de tropa e tenta censurar um filme de 2017 sob acusação de “apologia à pedofilia”. É mais uma fake news, mas funciona que é uma beleza em setores da sociedade que não se interessam por política e não sofrem com a economia, mas têm enfarte com beijo gay na TV.

Na campanha, Lula e Bolsonaro têm um adversário implacável, a rejeição. E, assim como o mensalão e o petrolão serão um tsunami contra Lula, pandemia, Amazônia, cultura, educação, política externa, rachadinhas e os jet skis na hora errada vão cair na cabeça de Bolsonaro.

Até lá, a guerra é outra: capturar os náufragos da terceira via. Lula tem Geraldo Alckmin como chamariz, mas Bolsonaro tem verba, caneta, a maior bancada da Câmara e uma rede de ódio mais azeitada. O grande beneficiário de tudo isso pode ser a quarta via: o voto nulo ou em branco.

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