Expedito diz que dossiê seria pago com serviços jurídicos

O ex-diretor do Banco do Brasil Expedito Veloso afirmou em depoimento na CPI das Sanguessugas, nesta quarta-feira, que Jorge Lorenzetti, churrasqueiro preferido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e chefe do grupo de informação da campanha à reeleição, negociava a troca do dossiê por serviços jurídicos, e não por dinheiro. "Ele (Darci Vedoin) tinha muito medo de ser preso novamente", disse. Ele admitiu que os petistas exploraram o medo dos Vedoin de perder os benefícios da delação premiada, e teriam conseguido manter as negociações mesmo descartando qualquer pagamento em dinheiro."Receber R$ 10 milhões na cadeia poderia não ser um bom negócio", afirmou Expedito, um dos "aloprados" envolvidos na tentativa de compra do dossiê contra tucanos. Expedito trabalhava na campanha de Lula e é acusado de ter ido até Cuiabá para convencer Vedoin, chefe da máfia das ambulâncias, a conceder uma entrevista a revista Época, incriminando tucanos. Expedito é acusado de ter feito as investigações e a montagem do dossiê. "Pelo que eu estou entendendo vocês usaram de chantagem", disse o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), o que Expedito respondeu dizendo que, usando de chantagem ou não, cumpriu seu papel de cidadão, não deixando claro que papel foi este.De acordo o ex-diretor do BB, durante as negociações, os donos da Planam revelaram que os R$ 20 milhões exigidos pelo dossiê serviriam para custear "um advogado de peso, de preferência que pudesse ficar em Brasília". "Ele (Lorenzetti) disse que não haveria nenhuma negociação financeira, mas que estava buscado apoio jurídico (para os Vedoins)", disse Expedito.O ex-diretor do BB também disse que, quando manuseou os 15 cheques e demais documentos que compunham o dossiê, anotou as informações que poderiam ser utilizadas contra os Vedoins. Ao responder porque não passou estas informações antes à CPI, ele disse que "o PT tem ampla participação na CPI", e que isso seria feito "na hora que achássemos mais adequado". Esta informação contradiz sua alegação no início do depoimento de que a sua função na operação de compra do dossiê era somente avaliar tecnicamente os documentos. "Participei intensamente das discussões sobre os documentos. Nada mais", disse Expedito ao iniciar o depoimento.Os 15 cheques, de contas do Banco do Brasil, a que Expedito teve acesso teriam sido destinados a pagamentos de restos de campanha do candidato à Presidência da República em 2002 José Serra (PSDB). Expedito negou que tenha quebrado o sigilo bancário dos emitentes, como denunciou na ocasião o deputado Fernando Gabeira. "O Banco do Brasil me ligou e me informou que houve quebra de sigilo", rebateu o deputado.

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