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Expectativa x realidade

Os políticos abatidos pelo listão da Odebrecht adotaram o pragmatismo político e já estão revendo os cálculos eleitorais para o ano que vem

Vera Magalhães, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2017 | 03h00

Passada a temporada de negativas indignadas, os políticos abatidos pelo listão da Odebrecht adotaram o pragmatismo político e já estão revendo os cálculos eleitorais para o ano que vem. 

Virtuais presidenciáveis e governadores e senadores que disputariam a reeleição deverão se contentar a voltar para a “planície”. No caso, se darão por satisfeitos se obtiverem um mandato para deputado, que lhes garanta foro privilegiado e os livre de ter os processos remetidos para a vara do juiz Sérgio Moro em Curitiba.

Vários figurões da política já discutem esse cenário com seus aliados e estrategistas políticos. No PT, a ordem é unida: o partido sabe que dificilmente elegerá governadores em Estados importantes. Então, aqueles que tiverem algum capital eleitoral devem ajudar o partido a formar uma bancada capaz de lhe dar alguma força parlamentar. Senadores como Lindbergh Farias (RJ) e Gleisi Hoffmann (PR), se puderem ser candidatos, devem reforçar as chapas para a Câmara.

Entre tucanos e peemedebistas o movimento é similar. A diferença é que cada um pensa segundo seus interesses judiciais. Não é descartada a possibilidade de caciques como Romero Jucá (PMDB-RR) e Aécio Neves (PSDB-MG) voltarem ao Salão Verde.

A onda de renovação na política, que soprou em 2016 e se mantém para 2018, deve atingir também as eleições para governo e Senado. Já há prefeitos tucanos da Grande São Paulo, por exemplo, querendo pegar “carona” no foguete de João Doria e, caso ele saia ao Planalto, clonar seu discurso na sucessão de Geraldo Alckmin – outro que pode ser forçado a rever seus planos.

NINHO NOVO

Desgastado, PSDB perde ‘estrelas' para o Novo

A tentativa do PSDB de “repatriar” o ex-técnico da seleção brasileira de vôlei Bernardinho naufragou depois da lista do Fachin repleta de tucanos. Ele decidiu ficar mesmo no Novo, que também deve ser o destino do apresentador Luciano Huck.

SOS

PT busca apoio de empresários e banqueiros para calar Palocci

Foram orquestradas as declarações de lideranças petistas nas redes sociais de que, se fechar delação premiada, Antonio Palocci pode implodir o empresariado e os bancos. O PT busca ajuda para pressionar o ex-ministro a permanecer em silêncio. 

LAVA JATO

Políticos acusam Odebrecht de ‘lavar’ negócios ilegais em delação

Uma linha de defesa em comum será adotada pelos acusados de receber recursos por delatores da Odebrecht: eles dirão que os executivos foram orientados pelos advogados a envolver um grande número de políticos como forma de “lavar” recursos desviados em outros negócios ilegais mais cabeludos, como evasão de divisas para o exterior e um esquema mais pesado de corrupção em países nos quais a empreiteira tinha negócios.

CARNE FRACA

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Realmente a carne é fraca: em tempo recorde, o fiscal agropecuário Daniel Gonçalves Filho, apontado como comandante do esquema de corrupção na fiscalização de frigoríficos investigado pela operação da Polícia Federal, fechou acordo de delação premiada. Gonçalves se ofereceu para prestar informações sobre o ministro da Justiça, Osmar Serraglio, e o senador Roberto Requião (PMDB-PR), relator do projeto de lei de abuso de autoridade.

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