'Exibicionismo da Lava Jato tira prestígio do Ministério Público', diz Renan

'Exibicionismo da Lava Jato tira prestígio do Ministério Público', diz Renan

Presidente do Senado critica 'episódio Lula' e afirma que é preciso investigar e fazer denúncias 'que sejam consistentes' e não 'por mobilização política'

Isabela Bonfim, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2016 | 14h19

BRASÍLIA - O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), tornou a fazer críticas ao que entende como "excessos" da operação Lava Jato. O senador acusou a Força Tarefa da investigação de "exibicionismo" e citou como exemplo a coletiva do procurador Deltan Dellagnol que centralizou o esquema de corrupção no ex-presidente Lula.

"A Lava Jato precisa acabar com esse exibicionismo, como vimos agora no episódio do ex-presidente Lula e em outros. Isso, ao invés de dar prestígio, retira prestígio do Ministério Público e obriga o Congresso Nacional a pensar numa legislação que proteja garantias individuais e coletivas", disse o presidente do Senado. 

No Congresso tramitam diferentes propostas relacionadas a investigações, como revisão da lei de delações e a nova lei de abuso de autoridade. Renan não chegou a citar nenhum projeto em específico para dar encaminhamento, mas prosseguiu com as críticas à Lava Jato e falou em "mobilização política".

"É preciso de uma vez por todas investigar e fazer denúncias que tenham começo, meio e fim, que sejam consistentes e não fazer denúncias por mobilização política, porque com isso o País perde e as instituições perdem também", afirmou.

Anistia Caixa Dois. Renan Calheiros negou ter participado de qualquer articulação para a votação do projeto que anistia o caixa dois, emenda à uma proposta de 2007 que foi colocada em votação nessa segunda-feira, 19, na Câmara dos Deputados. 

"Eu não fui informado do teor do que conteria essa proposta, sinceramente. Eu não sei de nada, o que se pretende, qual é o texto, se é eficaz, em que momento vai votar. Isso não chegou ainda ao Senado Federal", afirmou Renan.

Mais cedo, deputados disseram que senadores participaram dos acordos para tentar votar o projeto na noite de ontem na Câmara. De acordo com fontes, Renan teria participado da articulação e, por essa razão, não abriu a sessão do Congresso Nacional, marcada para às 19h. 

O peemedebista negou e disse que chegou, inclusive, a ir ao plenário da Câmara e apenas não abriu a sessão do Congresso porque os deputados ainda estavam trabalhando. 

Reforma política. O presidente do Senado reafirmou sua intenção de votar a PEC 36/2016, que pode diminuir a quantidade de partidos com representação no Congresso, no intervalo entre o primeiro e o segundo turno das eleições municipais, em outubro.

Nessa terça-feira, 20, o plenário completou a quarta das cinco sessões de discussão da PEC, para que ela possa ser votada em primeiro turno. De acordo com Renan, o regimento permite que a última sessão de discussão seja realizada no mesmo dia da votação.

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