Cesar Lopes/PMPA
Cesar Lopes/PMPA

Exército teme ‘politização’ de pedidos de ajuda em ano eleitoral

Forças Armadas veem‘banalização’ das tropas após pleito de prefeito de Porto Alegre em razão do julgamento de Lula

Tânia Monteiro, O Estado de S. Paulo

08 Janeiro 2018 | 03h00

BRASÍLIA - A cúpula das Forças Armadas teme a “politização” dos pedidos de socorro para reforçar a segurança pública nos Estados durante as eleições deste ano. Os militares consideraram o pedido feito na semana passada pelo prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior (PSDB), de apoio durante o julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 24, uma “banalização” do uso das tropas.

O petista terá seu recurso julgado pela 8.ª Turma Criminal do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4). Movimentos sociais prometem realizar atos em defesa do ex-presidente e há também articulação de manifestações contra Lula. Marchezan alegou que ocorrerá uma “invasão” em Porto Alegre. O ex-presidente foi condenado pelo juiz Sérgio Moro, da Lava Jato, a 9 anos e 6 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá (SP).

Leia mais. 'Só Alckmin pode vencer Lula', afirma Beto Richa

Em ano eleitoral, de acordo com oficiais-generais ouvidos pelo Estado, há o perigo e o risco de estes pedidos se multiplicarem, como uma espécie de salvo-conduto dos governadores. A preocupação é que as autoridades usem a medida ao menor sinal de problema, ou até preventivamente, para passar a mensagem à população e a seus potenciais eleitores de que agem para protegê-los.

 

Os militares destacam, porém, que o chamado de tropas federais só deve ocorrer em cenário de descontrole da ordem. Nesse sentido, a cúpula das Forças Armadas descarta ações preventivas, como o pedido feito pelo prefeito de Porto Alegre. Apesar disso, como o Estado revelou na edição de anteontem, o serviço de inteligência dos militares está “em alerta” em razão de manifestações marcadas em defesa do ex-presidente.

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, já afirmou que é contra o emprego do Exército em Porto Alegre. O ministro considerou “absurdo” o pleito por ter sido feito por um prefeito, que não tem competência para isso, e de forma preventiva. A solicitação de ajuda é uma prerrogativa de governadores.

Leia mais. Saúde e educação perdem R$ 472 mi para campanhas

Na semana passada, o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, expressou preocupação, em seu Twitter, com o emprego da corporação em “intervenções” por meio da Garantia da Lei e da Ordem (GLO) nos Estados, como está sendo feito agora no Rio Grande do Norte. Segundo o comandante, “a segurança pública precisa ser tratada pelos Estados com prioridade ‘zero’”. 

 

Mais conteúdo sobre:
Política

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.