Exército tem planos para operações armadas no Rio desde 1988

O Exército mantém, há 14 anos, planos permanentemente atualizados para realizar operações armadas de grande porte nos morros do Rio, utilizando forças de operações especiais. O primeiro desses cenários, projetado em janeiro de 1988 e executado um mês depois, resultou na Operação Mosaico (OMos), executada pelas políciais estaduais e federal, destinada a prender o mais procurado operador do tráfico de drogas da época, Antonio José Nicolau, o Toninho Turco, e seus principais colaboradores. O traficante morreu na ação.Um grupo tático da PF foi treinado no Batalhão de Forças Especiais do Exército. Todos os antes agentes policiais envolvidos receberam instruções na Brigada de Pára-quedistas, na Vila Militar. Os 200 agentes que participaram da OMos foram convocados individualmente, quase todos quando estavam em casa.Concentrados em bases militares e impedidos de fazer contato externo, mesmo com suas famílias, até o fim da operação, muitos deles acreditavam que estava em curso um golpe de Etado para derrubar o então presidente José Sarney. Em 24 horas, os 36 principais homens e mulheres ligados a Toninho Turco foram presos. A atual iniciativa da força-tarefa contra o crime organizado no Rio, proposta em maio pelo ministro da Justiça, Miguel Reale Júnior, contempla novamente a integração das Polícias Civil e Militar do Estado, a Polícia Federal e as Forças Armadas.De início, a governadora Benedita da Silva rejeitou a medida, mas logo em seguida solicitou apoio do presidente Fernando Henrique Cardoso. O ministro da Defesa, Geraldo Quintão, elogiou a idéia, mas ressaltou que, para aplicá-la, "é preciso antes conversar com os interessados e ninguém falou com o governo".O formato da atuação efetiva do Exército nos morros cariocas não mudou muito desde o primeiro estudo. Segundo um oficial do setor, os serviços militares de inteligência dispõem de informações que permitiriam a elaboração de um mapa com a localização das casas e das bases dos principais líderes do tráfico. " A atualização desse levantamento, com uma apuração mais fina, exigiria 72 horas de trabalho intenso", avalia o especialista.Depois disso, pode ser ordenada uma missão de extração e destruição. Nesse caso, helicópteros com oito a 14 soldados lançariam grupos de combate sobre cada um dos alvos. Os chefes seriam presos e as fortalezas, vistoriadas, esvaziadas e até explodidas. O número estimado de baixas é alto.A proposta foi discutida pela primeira vez nos preparativos da bem-sucedida Operação Mosaico, comandada pelo então diretor da Polícia Federal, Romeu Tuma. O modelo, considerado muito radical, esbarrava na necessidade de um ato legal que colocasse o Rio em regime de exceção e emergência. Em 1992, na montagem para a Eco-92, reunião mundial sobre meio-ambiente da qual participaram dezenas de chefes de Estado, uma versão mais branda levou 50 blindados EE-9 Cascavel e EE-11 Urutu - além de 5 mil soldados e 1,5 mil fuzileiros navais - para as ruas da cidade e acessos aos pontos controlados pelo crime organizado.A tropa eventualmente mobilizada para neutralizar os chefões do tráfico seriam as companhias de Forças Especiais, a mais avançada unidade do Exército brasileiro. Treinados segundo padrões de organizações do mesmo tipo existentes nos Estados Unidos e Grã-Bretanha, são combatentes de alto rigor físico, especializados na luta antiterror, guerrilha urbana e contra-insurgência. Usam uniformes negros, de tecido fosco, óculos de visão noturna e sistemas especiais de rádio. O armamento padrão: fuzil Para-FAL 7,62 mm, pistola 9 mm, granadas especiais e explosivos.

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