Exército reforça combate a mosquito da dengue nas ruas do Rio

O Exército trocou armas emunições por uma bolsa carregada de pó larvicida nestaterça-feira para atacar focos do mosquito da dengue nas ruas doRio de Janeiro, mas especialistas alertam que a medida éineficaz para combater a epidemia que atinge a cidade. No primeiro dia de ação do Exército contra o mosquito"Aedes aegypti" nas ruas, os 300 militares, acompanhados deagentes de saúde, visitariam quatro mil imóveis na zona oesteda capital. Em todo o Estado, quase 60 mil pessoas foraminfectadas pela dengue e 68 morreram neste ano. A capital tem a situação mais grave, e responde por mais de41 mil casos desses e já teve 45 óbitos confirmados. Em todo oano passado, foram 25 mil casos no município, com 26 óbitos. "Hoje estamos colocando em prática o lado da mão amiga donosso lema Braço Forte, Mão Amiga", disse à Reuters otenente-coronel Ugo de Negreiros, comandante da operação decombate aos focos do mosquito na rua, que deve continuar por 30dias. "É um combate que nosso soldado não está acostumado, agente não vê o inimigo", acrescentou. Após receberem o larvicida em uma praça militar no bairrode Relango, os soldados, acompanhados de oficiais, foram bemrecebidos nas primeiras casas visitadas na manhã desta terça.Além de aplicar o produto, eles instruíam os moradores aeliminar os potenciais focos de reprodução do mosquito. Cerca de 1.200 homens do Corpo de Bombeiros já vinhamexercendo a mesma atividade dos militares desde o mês passado,mas especialistas criticaram a ação, considerando-a ineficientepara deter a disseminação da doença. "Num instante de epidemia, não adianta ficar recolhendocriadouro, vaso de planta, caixa d'água, tem é que matar omosquito adulto através de inseticida", disse por telefone obiólogo Alvaro Eiras, pesquisador da Universidade Federal deMinas Gerais, que criou uma armadilha contra o mosquito dadengue. A solução apontada por Eiras, cuja invenção permite aidentificação de locais com maior infestação do inseto, seriamos carros fumacê, que têm sido pouco vistos pela população doRio de Janeiro durante o surto deste ano. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, 17 fumacês estãocirculando pela cidade diariamente, menos da metade dos 35carros que estavam em ação durante a epidemia de 2002, quedeixou 91 mortes em mais de 280 mil casos no Estado. Para o entomologista da Fundação Oswaldo Cruz AnthonyÉrico, especialista no mosquito "Aedes aegypti", a aplicação delarvicida é uma medida paliativa, que tem duração máxima de 20dias. "O biolarvicida tem uma ação ativa de apenas 20 dias, sefor uma vez só e não voltar mais, não adianta nada", disse. "Aaplicação do larvicida é uma coisa pontual e de validade muitorápida", explicou. Érico acredita que os fumacês também não são adequados parao combate ao vetor, uma vez que "o mosquito da dengue écaseiro", e aponta como solução a educação da população arespeito da doença. "As pessoas recebem informação mas não são educadas acombater o mosquito. Como o Rio de Janeiro vai conviver parasempre com esse mosquito, a campanha teria que estar nasescolas, para que a criança aprendesse sobre o mosquito." Antes da participação no combate ao "Aedes aegypti", oExército já tinha montado um hospital de campanha para ajudarno atendimento de pacientes infectados com a doença. Marinha eAeronáutica também contribuem no atendimento com hospitaistemporários.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.