Exército inicia cerco ao Complexo do Alemão e à Vila Cruzeiro

Cerca de 800 homens controlam acessos de favelas; operação tem apoio de blindados e helicópteros.

Júlia Dias Carneiro, BBC

26 de novembro de 2010 | 17h24

Soldados foram mobilizados para controlar acessos de favelas no Rio

Um contingente de 800 homens da Brigada Paraquedista Militar do Exército começou a se instalar nesta sexta-feira ao redor das favelas da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão para criar um perímetro de proteção e controle de acessos em torno das duas comunidades.

A Vila Cruzeiro foi ocupada por forças policiais na quinta-feira, e cerca de 200 suspeitos de envolvimento com o tráfico que fugiram da operação policial partiram em direção ao Complexo do Alemão em busca de refúgio.

Segundo o chefe do Estado-Maior da Polícia Militar do Rio, coronel Álvaro Garcia, cerca de 200 homens do Bope (Batalhão de Operações Especiais) e das Polícias Civil e Militar participam nesta sexta-feira de operações na Vila Cruzeiro.

Desde com as autoridades do Rio, 45 pessoas foram nos confrontos registrados na cidade desde o último domingo. A Polícia Militar diz que três pessoas morreram nos choques desta sexta-feira - o que aumenta para 34 o número de mortos nas operações da PM.

A Polícia Civil afirma que outros sete criminosos morreram nos confrontos. Outras quatro pessoas teriam morrido em decorrência de balas perdidas durante as trocas de tiros.

Desde o último domingo, segundo a polícia, 197 pessoas foram presas e 96 veículos, incendiados.

O governo estadual diz que a onda de violência na cidade é uma reação à política, em vigor desde 2008, de ocupação policial de áreas antes dominadas por criminosos.

Cooperação

Confrontos deixaram mais de 40 mortos desde o último domingo

Na tarde desta sexta-feira, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, se reuniu com o governador Sérgio Cabral e o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, para estabelecer os termos do acordo de cooperação das Forças Armadas na luta contra o tráfico no Estado.

Além dos 800 homens do Exército envolvidos no cerco ao Complexo do Alemão e à Vila Cruzeiro, a Marinha e a Aeronáutica vão contribuir com veículos blindados e helicópteros para transporte.

"Cabe ao governo federal suprir as eventuais deficiências que forem sentidas pelos Estados e, neste caso, ficou claro que, além dos blindados que foram disponibilizados, havia a necessidade de ceder 800 homens, praticamente um batalhão, para a proteção do perímetro no qual forças do estado avançaram", disse Jobim.

"Cabe ao governo estadual definir quais são as áreas conflagradas onde operações são necessárias, e ao governo federal atender aos pedidos de apoio", acrescentou o ministro, frisando que a segunda solicitação de Cabral - o pedido para o reforço de efetivo - contou com o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Jobim afirmou ainda que o atual momento vivido no Rio é sinal de uma mudança de paradigma em relação a parcerias entre as Forças Armadas e as polícias estaduais e federal.

"Nós já vivemos momentos em que havia um atrito entre as diferentes esferas", disse o ministro. "Esse tempo passou."

Encarregado da operação do Exército, o chefe do Comando Militar Leste, general Adriano Pereira Júnior, disse que 60% dos militares empregados no Rio participaram de operações no Haiti e têm experiência em áreas urbanas.

O secretário de Segurança Pública do Rio afirmou que o reforço oferecido pela tropa será fundamental para que policiais militares e civis possam ser deslocados para outras operações.

"Isso permite a liberação de grupos importantes de policiais para participar de outras ações que ainda vão ser realizadas", disse Beltrame.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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