Exército fica insatisfeito com ?ameaça? de Jobim

Há reação nas três Forças e militares aguardam volta de comandante para decidir se respondem à declaração

Tânia Monteiro, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2031 | 00h00

Ao retornar hoje de viagem à Argentina, o comandante do Exército, general Enzo Martins Peri, terá de dedicar o dia a administrar a insatisfação dos subordinados e evitar qualquer manifestação contra o que está sendo chamado de "ameaça desnecessária" feita pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim. Anteontem, na solenidade de lançamento do livro Direito à Memória e à Verdade, obra criticada pelos militares, Jobim afirmou: "Não haverá indivíduo que possa a isto reagir e, se houver, terá resposta."A insatisfação já era grande com o próprio livro-relatório, lançado no Palácio do Planalto para enterrar as versões dadas pelo regime militar (1964-1985) para o desaparecimento de presos políticos. Traz mais de 400 casos e reconhece oficialmente, pela primeira vez no País, que as forças da repressão cometeram crimes como torturas. Para os militares, o livro só conta um lado da história. Um oficial relatou que eles ficaram "absolutamente perplexos" e "revoltados" com a afirmação de Jobim, durante o seu discurso.O assunto dominou as conversas em várias unidades militares do País, tanto do pessoal do Exército, como da Marinha e Aeronáutica. A Força que mais se considerou atingida foi o Exército, avaliando que nem o discurso do secretário de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, foi ofensivo como o de Jobim. Um oficial-general ouvido pelo Estado disse que os militares estavam sendo "atingidos dentro da trincheira". E afirmou não entender o motivo da "ameaça gratuita".Apesar da revolta, todos garantiram que vão aguardar a chegada do comandante Peri, quando receberão as devidas instruções de como devem se comportar - se respondem ou não a Jobim.O ministro explicava ontem que não fez ameaça às Forças Armadas, mas a "indivíduos" que poderiam se manifestar contra a intenção do governo de fazer o lançamento do livro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também comentou o assunto: "Foi uma bela solenidade. Militares precisam entender de uma vez por todas que os militares de hoje não são os mesmos de ontem, os homens também não. A anistia veio para todo mundo." E finalizou: "O tempo é outro e a história é a história. As famílias têm o direito de reivindicar o enterro de seu mortos."

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