Exército fará concorrência para compra de blindados

O governo brasileiro deverá anunciar no segundo semestre uma concorrência para a aquisição de cerca de mil veículos blindados para o Exército, um negócio que segundo analistas do setor de defesa deverá envolver pelo menos US$ 500 milhões. Essa compra faz parte do programa de reequipamento das Forças Armadas do País, que inclui a aquisição de caças para a Força Aérea Brasileira (FAB), que também deverá ser reativada no segundo semestre após ser suspensa no início deste ano pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.Esta negociação também pode implicar na vinda para o Brasil de fabricantes estrangeiros de equipamentos que transfeririam a tecnologia para companhias nacionais que se habilitariam a produzir os blindados por aqui,como era feitos há 15 anos pela Engesa, que desenvolvia vários blindados leves, como o Urutu ou Cascavel, que chegaram a ser exportados com êxito. Mas a Engesa se aventurou e quis produzir um super-blindado sobre esteiras, o tanque Osório. Foi um erro, já que o seu preço ficou elevado, e levou a Engesa a ter uma série de dificuldades econômico/financeiras.Agora, os rumores sobre a abertura da concorrência dos blindados vêm circulando com intensidade entre os militares e empresas do setor, inclusive entre os participantes da 46ª Feira Aeronáutica, realizada em Paris. A expectativa entre as empresas de material de defesa estrangeiras é crescente e várias já estão se movimentando nos bastidores de Brasília.Uma fonte militar disse à Agência Estado que a concorrência deverá conter um forte requisito de participação de empresas brasileiras. "A modernização da frota de blindados terá o componente estratégico de fortalecer o desenvolvimento desse setor industrial do País, que praticamente sumiu do mapa ao longo dos últimos anos", disse a mesma fonte, citando principalmente a Engesa, que produzia os veículos blindados leves.Entre os militares há saudades da velha Engesa, que tinha fábricas em São Paulo, capital, e também em Caçapava, no Vale do Paraíba, e era presidida pelo empresário José Luiz Whitaker, que acabou se tornando um especialista em exportações de armamentos. Mas, com o fechamento da Engesa, ele acabou usando sua experiência para a venda externa de produtos civis.

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