Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Exército coloca 1.500 homens de prontidão em Porto Alegre

Forças Armadas reforça que a Brigada Militar está plenamente capacitada e tem todas as condições de controlar qualquer tipo de evento na capital do Estado gaúcho

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

24 Janeiro 2018 | 09h03

BRASÍLIA – Cerca de 1.500 homens do Exército se encontram desde a noite de terça-feira, 23, de prontidão nos quartéis de Porto Alegre, para serem acionados, se houve algum tipo de descontrole na segurança pública e o governador do estado, Ivo Sartori, assim entender necessário e fizer solicitação de emprego de tropas ao presidente Michel Temer. Esta hipótese, no entanto, é considerada remota pela cúpula das Forças Armadas, que tem reiterado que a Brigada Militar de Porto Alegre está plenamente capacitada e tem todas as condições de controlar qualquer tipo de evento na capital do estado, onde diversas manifestações serão realizadas ao longo do dia por conta do julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Trata-se, portanto, de uma medida preventiva e os soldados não irão para as ruas de Porto Alegre. 

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Os dois batalhões do Exército se aquartelaram ontem à noite e permanecerão dentro das unidades militares, além de trabalharem na proteção das instalações militares. Mesmo com cerca de 1.500 homens de prontidão, caso haja necessidade, esse número pode ser facilmente ampliado com emprego de outros batalhões que ficam em Porto Alegre, inclusive da Polícia do Exército. No entanto, o Exército reforça que se trata apenas de medida preventiva, para evitar surpresas, e avisa que qualquer ação das Forças Armadas só pode acontece se o governo local entender que suas forças não são capazes de manter a segurança pública, o que não acreditam que aconteça, pela preparação da tropa gaúcha e dispositivo em funcionamento, e se o governador encaminhar pedido ao presidente da República solicitando ajuda federal. 

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A atenção do Exército não se restringe a Porto Alegre, mas a outras cidades também, por conta da possibilidade de tumulto, embora as informações, até agora, sejam de que as manifestações serão pacíficas, com aglomerações, mas sem violência.  Entre as cidades no radar de atenção estão São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Salvador, onde são esperadas manifestações de apoio e contrárias a Lula, consideradas normais. Mas, mesmo que ocorram confrontos, as polícias militares dos estados estão capacitadas a resolver o problema, de acordo com a avaliação de oficiais-generais das Forças Armadas. No caso do Rio Grande do Sul, a PM, para reforçar o policialmente, levou soldados do interior para a capital, até superdimensionado a possibilidade de combate à violência, o que é considerado planejamento correto pelos militares, pelo potencial de enfrentamento e acirramento dos ânimos, sempre possível nestas ocasiões. A expectativa da área federal permanece de que, com as informações disponíveis até então, a exemplo do julgamento ocorrido em Curitiba,  quando houve primeiro julgamento do Lula,  tudo transcorra dentro da normalidade. Se houver algum problema, será pontual e facilmente controlado. O perímetro de segurança feito pela Polícia Militar, em Porto Alegre,  ajuda proteger a área, embora toda a cidade esteja sob atenção.  

Além das tropas para pronto-emprego que já estão no quartel, há também militares em condições de serem convocados de forma imediata, para reforçar a segurança, caso haja necessidade. Todo o planejamento, que foi acompanhado de forma conjunta no Gabinete de Gestão Integrada formada por todos os órgãos de segurança estaduais, municipais e federais, em Porto Alegre. No caso do Exército, apenas o contingente local foi acionado. Não houve convocação de tropas de outros estados. Como todo o trabalho está sendo feito de forma integrada pelas forças de segurança, a convocação de pessoal das Brigadas Militares de outras cidades para Porto Alegre e a formatação do trabalho foi elogiado pelas forças federais, que insistem que a Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul tem controle da situação no estado.

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