Exército chega; saques e rebelião no interior da BA

Os primeiros quatro caminhões lotados de soldados do Exército, transferidos de Sergipe, Pernambuco e Rio de Janeiro para substituir a policia militar baiana, deixaram o 19º Batalhão de Caçadores, situado no Bairro do Cabula, somente por volta das 17h30, em direção às ruas de Salvador. Desde o final da manhã, no entanto, patrulhas motorizas, autorizadas pela 6ª Região Militar, passaram a circular discretamente pelas avenidas da cidade e região metropolitana. Eram esperados dois mil homens do Exército, de fora da Bahia, para policiar o Estado. Durante todo o dia, várias reuniões entre representantes do governo e grevistas tentaram costurar um acordo, mas sem êxito. As duas partes afirmam estarem abertas às negociações mas, na prática, em dez dias de greve ninguém cedeu em nada. A expectativa é de que ocorra uma reunião, à noite, entre o governador César Borges (PFL), representantes de partidos de oposição e dos grevistas, entre os quais o cabo paulista Wilson Morais, presidente da Associação Nacional de Cabos e Soldados, que negociou acordo para o fim da greve em Tocantins. A fala da secretária de Segurança Pública, Kátia Alves, nas emissoras de televisão e rádio de Salvador, revoltou os grevistas. Ela classificou o movimento como "político", disse que os "baderneiros" da PM representam apenas 2% do total dos 28 mil integrantes da tropa e assinalou que a policia civil está trabalhando normalmente. Mas praticamente todas as delegacias aderiram à greve, e só registram casos de morte. Já o ex-senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), mentor político do governador Borges, disse que agiria com mais dureza em relação aos grevistas. "O governador cedeu o máximo, eu não seria tão tolerante", declarou, achando que a partir de amanhã, com a presença ostensiva do Exército nas ruas, "o problema vai estar resolvido, pois a instituição nunca entra para perder". Para Magalhães, a demora de mobilização das tropas é normal, "devido à complexidade de uma operação desse tipo". Apesar do protesto generalizado da população contra o governador Borges, ACM disse que o desgaste vai, na verdade, para o petista Luiz Inácio Lula da Silva. "A população está revoltada é com os grevistas e com os insufladores, e isso é prejudicial a Lula, que ficou light: os eleitores vão pensar duas vezes, antes de eleger um presidente da República com o risco de viver quatro anos sob a égide do terror".SaquesEmbora não tenham ocorrido novos saques no centro e bairros nobres da capital, os ataques continuaram acontecendo na periferia e no subúrbio ferroviário durante todo o dia. Moradores de favela saquearam vários mercadinhos e armazéns. O agravamento da situação no subúrbio ferroviário fez com que dezenas de PMs em greve deixassem os batalhões onde estão aquartelados para fazer a segurança nos locais onde moram seus familiares. Alguns moradores chegaram a denunciar que policiais estariam cobrando proteção dos pequenos comerciantes, para reprimir saques. A principal rede de supermercados de Salvador, a Bom Preço, abriu as portas mesmo com as ameaças de saque, e o transporte funcionou normalmente até as 17 horas, quando o Sindicato dos Rodoviários sugeriu o recolhimento dos ônibus por falta de segurança.Rebelião Os momentos de pânico registrados ontem na capital baiana se repetiram hoje em vários municípios de todas a regiões do interior do Estado. Houve saques e arrastões em Cruz das Almas, Ilhéus, Itapetinga, Barreiras, Porto Seguro, entre outras cidades. Em Feira de Santana o número de assaltos aumentou, e houve rebelião no presídio regional. Os cerca de 500 presos tomaram dois agentes penitenciários como reféns, no inicio da noite, e passaram a destruir o local. Por causa da rebelião, 40 policiais militares aquartelados num dos batalhões de Feira se deslocou para o presídio, mas a situação permanecia tensa até o início da noite.

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