Exército assume a segurança na Bahia

O Exército deve assumir ainda hoje as funções da Polícia Militar baiana e passar a ser responsável pela manutenção da ordem e segurança no Estado por causa da greve das polícias civil e militar que completa sete dias. O governador César Borges (PFL) decidiu convocar o Exército depois da adesão à greve da Tropa de Choque da PM e o alastramento do movimento por vários municípios do Estado.Na última vez que as Forças Armadas foram chamadas a intervir numa greve da Polícia Militar da Bahia, em março de 81, ocorreu um conflito armado que resultou na morte de um tenente da PM e em ferimentos graves que deixou outro oficial paralítico.Sem alternativa"Não nos restou outra alternativa", declarou Borges, pouco depois de assinar o decreto que passava em "caráter temporário e de emergência", o comando da PM à 6ª Região Militar do Exército, com sede em Salvador.Logo depois reuniu-se no Palácio de Ondina com o general Alberto Cardoso, ministro-chefe de Segurança Institucional da Presidência da República e o comandante da 6ª Região Militar, general Barros Moreira para discutir como o Exército vai realizar o policiamento das ruas de Salvador, bem como a desocupação dos quartéis da PM, tomados pelos grevistas, caso seja necessário.Ao deixar a reunião, Cardoso apostava na negociação com os grevistas para resolver o problema. "Tenho a convicção que a solução vai ser a volta à mesa de negociações, com a polícia cumprindo seu dever constitucional de prover a segurança pública conversando, mas durante sua atividade de trabalho", declarou.CaosNo entanto, enquanto Cardoso pregava o diálogo, o caos na cidade se alastrava com a adesão à greve dos agentes de trânsito da Prefeitura de Salvador e os vigilantes, o que levou a insegurança e o medo à população: muitas escolas e agências bancárias deixaram de funcionar por falta de segurança.A falta de policiamento já provoca problemas da capital baiana. Na terça-feira, no centro, o curso pré-vestibular Sartre foi invadido por quatro assaltantes que depois de saquearem o caixa do estabelecimento fugiram atirando. Uma das balas atingiu a estudante Marijoce Santana Gomes, de 19 anos, que morreu ao dar entrada no Hospital Geral do Estado (HGE).Amarrado no poste Também no centro de Salvador, guardadores de carros e comerciantes flagraram um ladrão tentando roubar um veículo. Ele foi agarrado, espancado a socos, pontapés e pauladas e amarrado num poste. Somente seis horas depois, apareceu uma radiopatrulha da PM, cujos integrantes libertaram o homem e o conduziram para ser medicado no HGE, de onde iria ser transferido para alguma delegacia.Os grevistas estão aquartelados com todos os equipamentos do trabalho diário, farda, coletes à prova de balas e armas. Eles usam máscaras do tipo ninja para não serem identificados e não recuaram nas reivindicações: querem a revogação de 68 exonerações de grevistas, a libertação dos líderes do movimento e um piso salarial de R$ 1,2 mil. O governo baiano alega que um aumento de 100% para 28 mil PMs iria desequilibrar o caixa estadual.

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