Executor de jornalista acusa deputado de envolvimento no crime

Citado no depoimento de pistoleiro, deputado Raimundo Cutrim usa a estratégia de disponibilizar sigilo bancário e fiscal

Ernesto Batista, especial para O Estado,

21 Junho 2012 | 15h46

Citado no depoimento do pistoleiro acusado de matar o jornalista Décio Sá, no Maranhão, o deputado estadual Raimundo Cutrim (PSD-MA) afirmou nesta quinta-feira, 21, que os seus sigilos estão à disposição da Justiça e disse não ter nada a temer. O nome de Cutrim foi mencionado pelo pistoleiro Jhonathan Silva, em seu depoimento realizado em 9 de junho, como um dos mandantes do crime. O outro mandatário é o capitão Fábio, ex-subcomandante do batalhão de choque da PM-MA e hoje preso no comando geral da PM-MA. Os depoimentos do caso vazaram no blog do jornalista Itevaldo Junior, colega de trabalho de Sá. A investigação corre em sigilo por determinação do secretário de Segurança Pública do Maranhão, Aluízio Mendes.

Cutrim afirmou não ter lido o conteúdo. "Quem conhece o meu trabalho sabe que, por onde eu andei, eu sempre procurei pautar o meu trabalho dentro da lei. O que eu quero é que a polícia apure isso. Eu tenho minhas diferenças com o secretário, isso é público e notório, mas conheço todos os policiais e sei que são competentes. O indiciado disse que cabe a polícia esclarecer", disse o parlamentar."Disponibilizo meus sigilos telefônico e bancário", afirmou.

Cutrim é ex-secretário de Segurança Pública do Estado do Maranhão e hoje está na base aliada do governo maranhense na Assembleia Legislativa. Ele comandou a secretaria de Segurança Pública do Maranhão durante o 2º governo de Roseana Sarney (PMDB-MA) em uma época em que a investigação de um outro assassinato gerou uma CPI e acabou com o desmonte de uma quadrilha envolvida com roubo de cargas e tráfico de drogas, além da cassação dos mandatos dos deputados estaduais José Gerardo (PMDB-CE) e Francisco Caíca.

Décio Sá, na época repórter do Jornal O Imparcial, participou ativamente da cobertura jornalística do episódio. Cutrim empossou diversos delegados que atualmente estão na cúpula da Polícia Civil. O atual secretário de Segurança Pública, Aluízio Mendes, na época era agente da Polícia federal cedido ao governo maranhense para a implantação de uma unidade policial aérea - o Grupo Tático Aéreo (GTA) - ligado diretamente ao gabinete do secretário.

Sem sigilo. O atual secretário atribuiu o vazamento à defesa dos sete acusados presos pelo assassinato do jornalista. "É óbvio que advogados dos suspeitos tiveram acesso ao material. Por isso, não temos por que investigar, já que as informações publicadas na internet não partiram da polícia. Nós continuamos, nessa etapa da investigação, com o sigilo, fundamental para o êxito do trabalho já iniciado por nós", afirmou Mendes. A Corregedoria Geral de Justiça do TJ-MA afirmou que "o depoimento é um documento que faz parte do inquérito policial, de responsabilidade da Secretaria de Estado de Segurança Pública". Outros documentos do inquérito policial sobre o assassinato do jornalista vazaram depois que foi decretado o sigilo nas investigações.

O jornalista Décio Sá foi assassinado em 23 de abril, em São Luís, no Maranhão. O jornalista, que estava sozinho, foi alvejado por seis tiros em um bar chamado Estrela do Mar, localizado na Avenida Litorânea. A Polícia Civil do Maranhão ainda procura mais quatro acusados de participação no crime. Um dos procurados está na lista de procurados da Operação Detonando, que resultou na prisão de sete pessoas, e ainda estaria foragido. Os outros três teriam colaborado com o crime ao trazer o acusado de assassinar Décio Sá para São Luís e dar fuga depois do crime ser executado. A Polícia não revelou os nomes dos quatro procurados.

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