Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Executivos presos na Lava Jato são soltos em Curitiba

Depois de quase seis meses, empreiteiros foram transferidos para prisão domiciliar

Julio Cesar Lima, especial para O Estado de S. Paulo

29 Abril 2015 | 12h31

Atualizado às 22h22

Curitiba - Os nove executivos de empreiteiras envolvidas no esquema de corrupção na Petrobrás foram liberados ontem da prisão preventiva que cumpriam há mais de cinco meses em Curitiba. Eles foram transferidos para o regime de prisão domiciliar por decisão do Supremo Tribunal Federal.

O juiz federal Sérgio Moro determinou a execução da ordem expedida pelo STF. Oito dos nove executivos - que terão de se submeter a restrições como o uso de tornozeleira eletrônica - deixaram a cadeia e seguiram para São Paulo. Apenas Sérgio Mendes, vice-presidente da Mendes Junior, foi levado a Brasília, onde possui residência.

O advogado Alberto Toron, que defende o dono da UTC, Ricardo Pessoa, considerado o presidente do “clube” de empreiteiras, disse que seu cliente “caiu em choro” após ser informado de que deixaria a carceragem da Polícia Federal na capital paranaense. “Ele recebeu (a notícia) muito emocionado, ele chorou muito. Agora ele volta para sua casa, em São Paulo, onde irá encontrar sua mulher.”



Além de Pessoa, o vice-presidente da Engevix, Gerson Almada, também cumpria prisão na sede da PF. Os outros sete presos cumpriam prisão no Complexo Médico Penal.

Antes de serem liberados, os executivos foram levados à Justiça Federal, onde colocaram as tornozeleiras eletrônicas e assinaram um termo de ciência das restrições de comportamento - entre elas a proibição de manter contato com outros investigados por qualquer meio; a entrega do passaporte à Justiça em 48 horas; o afastamento da direção de empresas; o comparecimento em juízo a cada 15 dias; entre outras obrigações.

Na Justiça Federal não havia parentes dos empreiteiros, só advogados preocupados com uma saída discreta de seus clientes.

Toron disse que Pessoa - que já havia se afastado da presidência da UTC - agora “vai providenciar um trabalho”. “Espero que ele seja bem-sucedido, não sei qual será esse trabalho.” A decisão do STF prevê prisão “domiciliar integral” até que o réu tenha “ocupação lícita, quando fará jus ao recolhimento domiciliar apenas em período noturno e nos dias de folga”.

Ontem, ao menos três empreiteiros da OAS, José Nogueira Breghirolli, Agenor Franklin Magalhães Medeiros e Mateus Coutinho de Sá Oliveira, entregaram os passaportes à Justiça. Conforme a defesa de José Aldemário Pinheiro Filho, o Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, seu passaporte foi apreendido durante sua prisão, em novembro de 2014.

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