Executivo relata lobby de Dantas no Congresso

Wady Jasmin, presidente da Santos Brasil, é agora a principal testemunha da Procuradoria da República

AE, Agencia Estado

08 de julho de 2009 | 09h19

Wady Jasmin, presidente da Santos Brasil, que detém o controle do porto de Santos, é agora a principal testemunha da Procuradoria da República no cerco ao sócio-controlador do Grupo Opportunity, Daniel Dantas, denunciado por formação de quadrilha e organização criminosa, evasão de divisas, lavagem de valores e gestão fraudulenta. Jasmin foi arrolado pelo Ministério Público Federal (MPF) para depor na Justiça porque revelou informações importantes sobre o lobby de Dantas no Congresso.

Ao delegado Ricardo Saadi, que conduziu a Operação Satiagraha, o executivo da Santos Brasil relatou, em março, que seus encontros políticos eram agendados pelo lobista Guilherme Sodré, o Guiga, denunciado por quadrilha e organização criminosa. "A função de Sodré é única e exclusivamente agendar reuniões com políticos", contou Jasmin, engenheiro químico reconhecido por sua ampla atuação no comércio internacional. "Sodré consegue agendar reuniões de diversos partidos políticos."

Jasmin não é investigado pela Satiagraha, seu nome está fora do rol de suspeitos da procuradoria. À PF, ele depôs como testemunha. Afirmou que Dantas "não tem participação na gestão executiva da Santos Brasil" e disse que, por meio de Guiga, se reuniu com o senador Antônio Carlos Magalhães, morto em 2007, com o ex-deputado Sigmaringa Seixas (PT-DF) e com a senadora Kátia Abreu (DEM-TO). A PF questionou o executivo sobre contatos com o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, e com a atual ministra da pasta, Dilma Rousseff. Ele negou qualquer encontro.

De acordo com a companhia, Sigmaringa é advogado da Santos Brasil, empresa controlada pelo Opportunity, de Dantas, e Sodré é apontado como ?consultor de comunicação?. No depoimento, Jasmin não dá detalhes do encontro com ACM, mas explica que esteve com a senadora Kátia Abreu no início de 2008 em reunião de 20 minutos. A senadora informou que de fato o recebeu e que ele estava acompanhado de Carlos Rodenburgo, cunhado de Dantas e gestor do braço agropecuário do Opportunity.

A parlamentar do DEM disse que tentaram pressioná-la a ?desistir da luta? de criar o conceito de porto privado misto, o que quebraria "o cartel de Dantas no Porto de Santos". "Tudo aquilo é uma grande máfia", acusa Kátia Abreu. A Santos Brasil nega ingerência do Opportunity Fund. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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