Thomas Peter/ Reuters
Thomas Peter/ Reuters

Executivo da Sinovac cobrou fim de ataques à China para enviar insumos de vacina

Cobrança sobre comportamento de Bolsonaro ocorreu em reunião entre biofarmacêutica chinesa e diplomatas brasileiros, em Pequim

Julia Affonso, O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2021 | 19h11

BRASÍLIA – A biofarmacêutica chinesa Sinovac, desenvolvedora da vacina Coronavac, cobrou diplomatas brasileiros sobre uma mudança de posicionamento do governo duas semanas após o presidente Jair Bolsonaro atacar a China. A cobrança ocorreu durante  reunião em Pequim da qual também participou o presidente da Sinovac, Weidong Yan, em 19 maio. O executivo destacou a importância da alteração de comportamento político por parte do governo para enviar insumos ao Instituto Butantan, com o objetivo de produzir a vacina. A informação consta de documento enviado pelo Itamaraty à CPI da Covid, revelado pelo jornal O Globo e confirmado pelo Estadão

O presidente da Sinovac afirmou, segundo relatos do Itamaraty, que seria “conveniente” para o processo que o governo brasileiro buscasse “desenvolver uma relação mais fluida e positiva com o governo chinês.”

O Itamaraty observou que Weidong Yan não disse categoricamente que haveria “ingerência direta do governo na alocação de insumos”. O executivo argumentou, porém, que “um bom diálogo entre Brasília e Pequim" era importante. A questão, de acordo com o presidente da Sinovac, não seria apenas comercial, mas também diplomática. 

Weidong Yan chegou a citar o exemplo da Indonésia e do Chile, que teriam “boas relações” com a China. Os dois países também estão imunizando suas populações com a CoronaVac, vacina contra covid-19 desenvolvida pela Sinovac.

Nos últimos tempos, em mais de uma ocasião Bolsonaro se referiu à covid-19  como “vírus chinês”. Sugeriu, ainda, que o coronavírus foi fabricado em laboratório, na esteira de uma “guerra química”. 

O Instituto Butantan tem sofrido cada vez mais com atrasos no envio do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) da China para o Brasil. Em abril, o envase da vacina chegou a ser paralisado, por causa do atraso na remessa do insumo.

Segundo o jornal O Globo, o presidente da Sinovac “fez questão de destacar a importância do apoio político para a realização das exportações, e mesmo a possibilidade de tratamento preferencial a determinados países”.

Senadores da CPI da Covid questionaram o ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo durante o depoimento prestado por ele, em 18 de maio, sobre os ataques feitos  à China.

Na ocasião, Araújo negou que tivesse ofendido diplomatas chineses e a cultura do país em geral. “Jamais ofendi o embaixador chinês”, afirmou o ex-chanceler. No ano passado, porém, Araújo teria até mesmo pedido a troca do embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, após confrontos relacionados a declarações sobre a pandemia. 

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