Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Na defensiva, PT lança documento sem citar Dirceu

Executiva Nacional do partido prefere isolar ex-ministro por temer que apoio represente ‘abraço de afogados’ e adota tom protocolar

Vera Rosa, O Estado de S. Paulo

04 de agosto de 2015 | 18h11

Atualizado às 21h46

Brasília  - Na tentativa de se proteger de mais um escândalo, a cúpula do PT decidiu não defender o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, preso pela Polícia Federal na 17.ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Pixuleco. Em reunião da Executiva Nacional do PT, realizada nesta terça-feira, 4, dirigentes mudaram o tom adotado em relação à prisão anterior do ex-ministro, em 2013, após sua condenação pelo Supremo Tribunal Federal, no processo do mensalão, e preferiram isolar Dirceu. Ele vai dividir espaço em uma cela com dois contrabandistas, na Custódia da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba.

A presidente Dilma Rousseff também vai se distanciar do escândalo. A avaliação reservada é de que defender Dirceu, neste momento, pode agravar ainda mais a crise que atinge o partido e o governo Dilma, porque ninguém sabe o que está por vir. Nos bastidores, o argumento de muitos integrantes do comando petista é o de que o ex-ministro da Casa Civil – que presidiu o PT com mão de ferro de 1995 a 2002 – pode ter montado um esquema na Petrobrás para enriquecimento pessoal. 

Dirigentes da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), grupo de Dirceu e do ex-presidente Lula, se dividiram sobre a defesa do ex-ministro. Ao final da reunião, porém, a maioria chegou à conclusão de que se associar agora a Dirceu poderia representar um abraço de “afogados”. Ficou decidido ali que o comando do partido, sem poder escancarar o seu temor em relação aos desdobramentos da investigação, adotaria tom protocolar sobre as acusações contra Dirceu, contrastando com o que ocorreu no mensalão. 

Na resolução política aprovada ontem, não há citação ao ex-ministro. Além disso, a portas fechadas, dirigentes do PT argumentaram que Dirceu não atuou na Petrobrás em nome do partido. No diagnóstico de muitos petistas, a situação do ex-ministro seria diferente da de João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT preso pela Operação Lava Jato. 

Para os investigadores, Dirceu criou um esquema de desvio de dinheiro na Petrobrás, com o mesmo DNA do mensalão. Por meio da JD Consultoria, ele teria recebido R$ 39 milhões. Desse total, R$ 21,3 milhões foram pagos por três grupos empresariais no período em que o petista era investigado, processado, julgado e cumpria pena por envolvimento no mensalão. 

Defesa. “O ônus da prova é de quem acusa e é preciso que José Dirceu possa fazer o contraditório das acusações que estão sendo feitas a ele em caráter pessoal”, afirmou o presidente do PT, Rui Falcão. “Não estamos abandonando José Dirceu”, disse, diante da insistência dos jornalistas. “Ele e todos os que são acusados antes de apresentar sua defesa não são réus até que se prove.” 

O ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini, foi na mesma linha. “Cabe aos investigados tomar as providências que julgarem necessárias para se defender perante a Justiça”, disse Berzoini, que foi presidente do PT. “O Zé (Dirceu) tem todas as condições de se explicar. Trata-se de uma atividade profissional dele, não envolve o partido”, comentou o secretário de Comunicação do PT, José Américo Dias. 

Com duas folhas, a resolução política do PT também condenou o ataque ao Instituto Lula, alvo de um explosivo na quinta-feira. “Causa indignação a conivência silenciosa de certos meios de comunicação e partidos, que se dizem democráticos, com o atentado de caráter fascista ao Instituto Lula”, diz o documento aprovado pelo PT. 

O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, foi convidado para fazer uma exposição sobre as perspectivas econômicas na reunião do PT. Barbosa disse, de acordo com relatos, que o País tem todas as condições para começar a retomar o crescimento no fim deste ano. 

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