Executiva Nacional do PMDB barra manobra para reconduzir Picciani à liderança na Câmara

Resolução obriga que todas as novas filiações de deputados e senadores tenham de ser aprovadas pelo comando nacional da sigla, atendendo aos interesses da ala pró-impeachment da legenda e às articulações de Michel Temer

Igor Gadelha e Erich Decat, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2015 | 12h11

Brasília - Em uma articulação costurada pelo vice-presidente Michel Temer e a ala do PMDB pró-impeachment, a Executiva Nacional do partido aprovou, na manhã desta quarta-feira, 16, resolução obrigando que todas as novas filiações de deputados e senadores tenham de ser aprovadas pelo comando nacional da sigla. A decisão foi aprovada por 15 votos a favor e 2 contra. O vice-presidente da legenda, senador Valdir Raupp (RO), conduziu a reunião e se absteve de votar.

A medida, na avaliação de integrantes do partido, fortalece a posição de Temer e da legenda, uma vez que o objetivo da decisão foi barrar articulação da bancada do PMDB do Rio de Janeiro e do Palácio do Planalto para reconduzir Leonardo Picciani (RJ), pró-governo, à liderança do partido na Câmara. O parlamentar carioca foi destituído do cargo na semana passada, após deputados da ala pró-impeachment apresentarem lista com 35 nomes para indicar Leonardo Quintão (MG) ao cargo. 

À cúpula da legenda chegou a informação de movimentação de que ao menos quatro deputados do Rio poderiam embarcar na sigla ou dar espaço para que suplentes do PMDB ingressassem na bancada, para dar apoio a Picciani. 

A reunião da Executiva durou cerca de 30 minutos e ocorreu na sede da legenda, na Câmara dos Deputados. O senador Valdir Raupp substituiu o vice-presidente da República e presidente nacional da legenda, Michel Temer. O peemedebsta desistiu de participar da reunião, na véspera, diante da possível retaliação da ala governista do partido, que ficou irritada com a proposta de mudar as regras das novas filiações. 

Contrariado com a decisão da maioria, o deputado Leonardo Picciani afirmou que irá recorrer da decisão da Executiva na Justiça e reafirmou que pretende apresentar até o fim desta semana uma nova lista com apoio da maioria da bancada por sua recondução à liderança do PMDB. 

"Creio que hoje a Executiva escreveu uma página triste da história do PMDB. O partido por decisão da maioria  aprovou uma resolução ilegal, que vai ser contestada judicialmente, porque invade a competência do estatuto do partido, invade a competência da convenção. Tirar dos diretórios regionais a liberdade que sempre teve de processar filiações", disparou.

Raupp rebateu Picciani e afirmou que é "normal" que a Executiva Nacional possa avalizar filiações. Segundo ele, essa prática já ocorre na filiação de vereadores e deputados estaduais. "A resolução é para fazer uma espécie de filtros nas filiações, sobretudo de deputados federais", ressaltou o senador. 

Desembarque. Segundo o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), que também participou da reunião, com a vitória esmagadora contra a interferência do Planalto no partido, a discussão em torno da antecipação de um desembarque do governo ficará em "stand-by". "A tentativa do governo de interferir no PMDB por meio de deputados de outros partidos não teve o efeito que eles gostariam. Com isso, a lista de diretórios estaduais pela antecipação, que já tem 12 assinaturas, fica de stand-by", ressaltou. 

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