Executiva do PT vai discutir situação de Delcídio Amaral

A Comissão Executiva Nacional do PT deve discutir na tarde desta quinta-feira as dificuldades surgidas em torno do presidente da CPI Mista dos Correios, senador Delcídio Amaral (PT-MS), que vem sendo criticado por colegas de partido pela forma como conduziu a votação do relatório final da CPI. "Este é um tema que vai entrar agora na (discussão sobre) conjuntura para ver se vamos tomar alguma posição, alguma decisão", informou nesta sexta-feira o secretário-geral da legenda, deputado Raul Pont (RS).Segundo Pont, as discussões surgidas no Congresso em função do relatório da CPI refletem em grande parte o "desgaste" e a "desmoralização" que vêm caracterizando as comissões parlamentares de inquérito. Ele disse ainda que Delcídio parece ter se rendido ao sentimento da maioria da CPI, criando uma situação de acordo com a posição que vinha sendo manifestada pelo relator da comissão, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR)."Acho que ele (Delcídio) se rendeu à lógica da maioria da comissão e simplesmente encaminhou o fruto de um processo muito acordado com o relator, muito determinado por aquela relação de forças ali da comissão", disse Pont. Ele reconheceu ainda que "a exaltação de ânimos" que marcou a bancada petista reflete, em parte, o fato de Delcídio não ter mantido a tradição de permitir o voto em separado do relatório.Pont criticou a forma como evoluíram as duas CPIs (Correios e Bingos), criadas para apurar as denúncias de irregularidades que atingiram o governo federal. Segundo ele, as sucessivas absolvições de parlamentares envolvidos em escândalos levantam a suspeita de que talvez as acusações não fossem tão embasadas quanto se acreditava na época em que as comissões foram abertas. "Estas CPIs estão hoje desmoralizadas", disse Pont, lembrando que as recomendações do Conselho de Ética da Câmara não têm encontrado respaldo nas votações em plenário.A Executiva Nacional do PT está reunida desde a manhã desta sexta-feira para fazer uma preparação para o Encontro Nacional da legenda, marcado para o final de abril. Outro tema que deve aparecer na conversa é a política de alianças para a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, segundo Pont, foi favorecida pela manutenção da regra de verticalização.Apesar de reconhecer que o PT não pode tomar uma decisão pelo PMDB, o secretário defendeu que tudo indica que a aliança entre as duas siglas será possível. "Tudo indica que o PMDB vai ter muita dificuldade de ter uma candidatura nacional unificada. Portanto, o partido tende nos estados a se dividir, e certamente haverá apoio à candidatura de Lula em alguns estados", afirmou Pont. "Nós avaliamos que a tendência não é a de ter uma terceira candidatura", acrescentou.

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