Executiva do PSDB decide que partido votará contra PAC

O comando nacional do PSDB decidiu, na noite de terça-feira, que o partido fará oposição sistemática ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Será uma oposição sistemática, dura e implacável", disse o deputado Arnaldo Madeira (SP), ex-líder do governo Fernando Henrique Cardoso na Câmara.Os tucanos pretendem se alinhar, assim, ao modelo de oposição adotado desde o ano passado pelo PFL - que na quinta-feira decidiu mudar o nome para Partido Democrata (PD).A decisão da Executiva do partido foi tomada depois de extenso debate sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado em janeiro. Tratava-se de saber se as bancadas da Câmara e do Senado fariam "oposição propositiva" mediante a apresentação de emendas aos projetos do PAC a fim de aperfeiçoá-lo. Deliberou-se pelo voto contra o programa.Os parlamentares tucanos poderão apresentar emendas de destaque às propostas governamentais, mas com o objetivo de alterar matérias caso a oposição não consiga derrotá-las.O presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), disse que não haveria o que aperfeiçoar pois, no seu entender, o PAC "é uma peça de propaganda" como eram as Parcerias Público-Privadas (PPS). "O programa é muito ruim", avaliou o ex-prefeito de Vitória, deputado Luiz Paulo Veloso Lucas (ES), integrante da Executiva Nacional.Ao definir-se pela "oposição dura" ao governo e suas propostas no Congresso, o PSDB pretende estabelecer um marco político para a sua atuação. Madeira reconhece que o partido se desgastou na eleição da Câmara por ter se dividido e contribuído decisivamente para a vitória do petista Arlindo Chinaglia (SP).Segundo ele, porém, o episódio parlamentar "nada tem a ver" com o comportamento em relação ao governo Lula. "Quem votou no Chinaglia votou no princípio da proporcionalidade e não para ajudar o governo", disse ele.A decisão tucana é não mudar, em tese, praticamente nada no tabuleiro político do Legislativo. A soma das bancadas do PSDB-PFL e o PPS, que tende a seguir a mesma linha, pode chegar a cerca de 140 deputados.Por seu lado, o governo pode contar com o apoio de cerca de 340 deputados, o suficiente para aprovar emendas constitucionais, que exigem o quorum qualificado de 308 votos. A união da bancada tucana e pefelista no Senado soma 30 votos, um poder de fogo razoável para viabilizar táticas de obstrução.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.