Excesso de nomes pode barrar esquerda em Porto Alegre

Esquerda terá bastante trabalho para voltar ao comando da capital gaúcha, já que entra dividida na disputa

SINARA SANDRI, REUTERS

25 de julho de 2008 | 14h18

A esquerda terá bastante trabalho para voltar ao comando da capital gaúcha, já que entra muito dividida na disputa pela prefeitura. A avaliação é de Flávio Silveira, do diretor do Meta Instituto de Pesquisa de Opinião, citando as primeiras sondagens eleitorais, que mostram, de um lado, o atual prefeito José Fogaça  (PMDB) como favorito à reeleição, e, de outro, três deputadas federais de partidos de esquerda brigando para ver quem chega a um provável segundo turno.   Veja Também:   Conheça os candidatos nas principais capitais  Calendário eleitoral das eleições deste ano  Especial tira dúvidas do eleitor sobre as eleições    Veja as regras para as eleições municipais "Além do declínio do (desempenho eleitoral) do PT na capital, que já vem de longo prazo, o apelo positivo do campo de esquerda está dividido entre três alternativas", argumentou Silveira, doutor em ciência política pela USP, em entrevista à Reuters. As deputadas Maria do Rosário (PT), Manuela D'Ávila (PCdoB, em coligação com o PPS) e Luciana Genro (PSOL, em coligação com o PV) são as protagonistas desta divisão. A pulverização do eleitorado de esquerda teria colocado Rosário e Manuela empatadas na disputa pelo segundo lugar. Para Silveira, as duas atrairiam uma faixa de perfil semelhante e o crescimento de uma significará a queda da outra candidatura. "Quem demonstrar fraqueza vai ficar em desvantagem nesta queda-de-braço", previu Silveira. Pelo Datafolha divulgado na quinta-feira, Rosário tem 20 % das intenções de voto, enquanto Manuela ficou com 18 % e Luciana Genro aparece 8 %. José Fogaça lidera com 29 por cento. Como a margem de erro é de três pontos percentuais, as candidatas do PT e do PCdoB estão empatadas. O deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM) tem 5 % das intenções de voto e disputaria espaço com Fogaça entre eleitores contrários ao PT. Esse eleitorado teria apoiado os governadores Germano Rigotto (PMDB) e Yeda Crusius (PSDB), em um campo onde a migração de votos entre candidatos de partidos diferentes seria mais fácil. Ao contrário de eleições anteriores, o PT não aparece como principal força eleitoral da capital e, neste início de campanha, o desempenho de Maria do Rosário está bem distante dos 37,62 % dos votos conquistados por Raul Pont no primeiro turno da eleição municipal de 2004. No segundo turno, Pont não conseguiu manter a liderança e perdeu de virada para Fogaça, então candidato pelo PPS, encerrando um ciclo de quatro administrações petistas na capital gaúcha. Enfrentamento  Para Silveira, não há fidelidade do eleitorado para uma transferência rígida de votos entre candidatos do mesmo partido. Além disso, haveria um certo esgotamento com estratégias de campanha que privilegiam o enfrentamento com os adversários. "A lógica principal de uma campanha não é o programa de governo. Além disso, a imagem de um candidato muito nervoso, agressivo e sem a serenidade necessária para tomar decisões está perdendo espaço", disse Silveira. Na estratégia da moderação, Fogaça teria acertado o tom na eleição de 2004 e crescido frente a um certo cansaço com o discurso que não teria sido renovado ao longo das quatro administrações do PT, apesar da boa avaliação dos governos municipais petistas entre o eleitorado. Para esta eleição, o desafio do atual prefeito seria convencer os eleitores de que fará novamente um governo pouco criticado, mas que também não conta com grandes realizações. Para a tarefa, Fogaça contaria com uma imagem de político sério e de administrador identificado com a cidade. Para Silveira, entre as principais adversárias de Fogaça, Manuela, de 27 anos, aparece como uma candidata com carisma, identificada com a juventude e de grande simpatia pessoal, atributos que já contribuíram para obter a terceira maior votação para a Câmara dos Deputados em toda a história do Rio Grande do Sul. "Para a eleição de prefeito, é preciso um discurso mais universal (que o voltado para a juventude). Além disso, ela pode enfrentar preconceitos pela sua idade", disse Silveira.

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