Exames não indicam presença de antraz no Rio

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) não encontrou a presença da bactéria antraz na carta encaminhada ao escritório do New York Times no Rio de Janeiro. Técnicos do órgão passaram a madrugada realizando testes no pó branco que foi encontrado dentro do envelope, mas pela manhã de hoje puderam descartar a possibilidade do Brasil ter sofrido o primeiro atentado bioterrista. Segundo o presidente da Fiocruz, Paulo Buss, os exames identificaram a presença de um bacilo que provoca diarréia. "O exame de cultura realizado na amostra é negativo para a bactéria antraz. Esse diagóstico é conclusivo`, afirmou o presidente. Segundo ele, o Brasil ainda está fora da linha de tiro do bioterrorismo internacional. "Não temos bioterroristas, temos bioengraçadinhos no Brasil." A Fiocruz vai precisar agora de mais 48 horas para concluir qual o bacilo que foi encontrado na carta do jornal americano. Buss explicou que o bactéria identificada é provamente um contaminante ambiental, um germe que não representa perigo à saúde. Ele revelou que se fosse confirmada a presença do antraz na carta, a Fiocruz mandaria uma amostra para os Estados Unidos para um exame genético que seria comparado com as outras amostras já coletadas no País. O Hospital Estadual São Sebastião, principal centro do atendimento a pessoas que tiveram contato com o material suspeito, já atendeu 64 pacientes nos últimos sete dias. Doze delas estão fazendo uso do antibiótico Ciprofloxacin. O Superintendente Nacional de Saúde, Oscar Berro, afirmou que todas as pessoas que se consultaram no hospital realmente viveram algum epsódio envolvendo suspeita de antraz. A carta ao New York Times foi postada no último dia 5 e era endereçada ao repórter Larry Rohter no Rio. A chefe do escritório, Mary Galanternick, conta que considerou suspeito o fato de o envelope não ter remetente e chamou a Fiocruz na quinta-feira para testar a presença da bactéria. Todos os quatro funcionários do jornal foram submetidos a exames e passaram a tomar o antibiótico Ciprofloxacin, como medida preventiva.A expectativa de Mary é de que a rotina no escritório do jornal no Rio volte ao normal a partir de segunda-feira. Segundo ela, os jornalistas vão continuar seguindo as diretrizes traçadas pela empresa desde os atentados terroristas aos Estados Unidos no dia 11 de setembro. A recomendação do jornal é de que os funcionários tomem cuidado especial com as correspondências e que cartas sem remetentes não sejam abertas. Fontes que acompanham os trabalhos dos jornalistas estrangeiros no Brasil revelam que as companhias internacionais enviaram luvas para que sejam usadas na hora de se abrir uma carta e também reforçado sua a segurança. Larry Rohter, correspondente do jornal "The New York Times" no Rio e destinatário da carta que poderia conter a bactéria antraz, não quis, até o momento, dar entrevistas. O jornalista informou por meio de sua colega de jornal, Mary, que não irá conversar com a imprensa e que os repórteres devem procurar as autoridades brasileiras ou a sede do jornal, nos Estados Unidos.

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