Exame grafotécnico pode comprometer Taniguchi

Exames grafotécnicos, feitos pelo Instituto de Criminalística do Paraná, indicam que o presidente do comitê financeiro da campanha do PFL à prefeitura de Curitiba, Mário Lopes Filho, foi quem fez as anotações que constam de um livro-caixa, cuja cópia foi apresentada ao Ministério Público do Paraná como prova de "caixa dois".Enquanto o comitê informou ao Tribunal Regional Eleitoral que foram gastos pouco mais de R$ 3,1 milhões, o livro traz despesas que somariam mais de R$ 32,9 milhões, consumidos na reeleição do prefeito Cassio Taniguchi (PFL).Em depoimento à promotoria, na semana passada, Mário Lopes negou ter feito anotações no livro e disse desconhecer quem o fizera. "O laudo pericial comprovou que os documentos foram manuscritos por Mário Lopes Filho", afirmou a promotora Maria Espéria Costa Moura, uma das oito pessoas que estão trabalhando no caso. "Mesmo sendo uma cópia, pode-se fazer a confrontação, identificando-se quem escreveu no livro."O presidente do comitê financeiro poderá ser chamado a depor novamente e até responder a processo por falso testemunho. O advogado de Mário Lopes Filho, Gláucio Antonio Pereira, reafirmou que seu cliente "não reconhece aqueles papéis".Como no final da análise feita pelo Instituto de Criminalística, os peritos afirmam que não foi possível certificar com segurança que as rubricas constantes dos papéis são as mesmas apresentadas por Mário Lopes Filho à procuradoria, o advogado disse que irá requerer nova perícia.No entanto, Pereira já alertou que "a boa doutrina não reconhece cópias sem autenticação para exames". O Ministério Público está tomando depoimento de todas as pessoas e empresas citadas no livro-caixa. Muitas das informações estão sendo tratadas de forma sigilosa pelos promotores."Vamos divulgar somente aquilo que não atrapalhe o curso das investigações", disse a promotora. Nos papéis que a promotoria possui foram registrados diversos valores, que apontariam para subfaturamento de contratos com produtoras de vídeo, agências de propagandas e outras empresas, além de pagamentos a diversas pessoas, incluindo políticos.

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