Exame da OAB reprova maioria dos candidatos

Quase 56% dos novos bacharéis em Direito foram reprovados no exame obrigatório da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Dos 47.600 inscritos para fazer a prova, necessária para ingressar na carreira, 26.603 não conseguiram nota suficiente para adquirir a carteira da Ordem. São Paulo, com um índice de reprovação de 71,8%, e Mato Grosso, com 73,1%, foram os Estados com os maiores porcentuais negativos. "Isso reflete o que a Ordem vem denunciando há muito tempo: a baixa qualidade do ensino jurídico no País", afirma o presidente da OAB, Rubens Aprobatto.Os dados anunciados pela OAB são relativos ao ano passado, mas o presidente da entidade confirma que eles estão se mantendo anualmente. Dos 18.919 advogados recém-formados em São Paulo, apenas 5.329 foram aprovados no exame da Ordem. "Cada Estado aplica a prova de acordo com sua realidade, obedecendo as características locais. Mas também depende muito da postura dos bacharéis e, no caso de São Paulo, também há um número altíssimo de faculdades de Direito", explica Aprobatto.Além de São Paulo e Mato Grosso, Santa Catarina também apresentou um índice de reprovação acima de 63%, enquanto que Ceará, com 84,93%; Pernambuco, com 66,2% e Amazonas, com 65,9%, foram os Estados com os porcentuais mais altos de aprovação. Entretanto, em nenhuma região do País houve 100% de aprovação. Proporcionalmente, Mato Grosso é o maior índice. "A situação realmente está ruim e não que a prova seja ruim", diz Aprobatto. "Os exames também mostram que a Ordem não é tem corporativismos."No Rio Grande do Sul o índice de reprovação também foi acima de 50%. Dos 4.022 bacharéis em Direito que prestaram o exame da Ordem, 2.171 foram reprovados (53,9%), enquanto que em Rondônia, 185 novos advogados não foram aprovados no exame, de um total de 348 que fizeram a prova, um porcentual de 53,1%. "É triste verificar que isso vem ocorrendo no País", lamenta o presidente nacional da OAB. "Comparando com anos anteriores, alguns Estados têm um índice de reprovação maior do que em anos seguintes", acrescenta Aprobatto.Para ele, é necessário que haja uma reflexão nacional sobre o problema, que a OAB já denunciou em outras ocasiões. Aprobatto explicou que, entre os reprovados na prova do ano passado, estavam bacharéis repetentes de outros exames. "Hoje, infelizmente, cerca de 70% dos novos advogados terão que esperar mais um ano", observa o presidente da OAB, explicando que os exames são anuais e quem foi reprovado na última prova, não pode exercer a profissão até que seja feito novo exame.

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