BETO BARATA|AE | AE
BETO BARATA|AE | AE

Ex-tucano virou petista próximo a Lula e Dilma

Engenheiro, Delcídio Amaral foi indicado pela presidente em abril para assumir a liderança do governo no Senado

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

26 Novembro 2015 | 07h18

Brasília - Delcídio do Amaral (PT-MS), agora ex-líder do governo no Senado, é um dos mais próximos interlocutores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na bancada do partido e sempre teve bom relacionamento com a presidente Dilma Rousseff, desde que era diretor de Gás e Energia da Petrobrás. Foi nessa época, no governo Fernando Henrique, que ele trabalhou na estatal com Nestor Cerveró, hoje seu algoz na Operação Lava Jato.

Delcídio conheceu Dilma quando ainda era filiado ao PSDB e sempre elogiou a capacidade de trabalho dela. Na ocasião, Dilma comandava a Secretaria de Energia, Minas e Comunicações do governo do Rio Grande do Sul. Delcídio e Dilma se filiaram ao PT em 2001.

Eleito em 2002 para o Senado, ele ganhou projeção ao presidir, três anos depois, a CPI dos Correios, que investigou denúncias de compra de votos em troca de apoio parlamentar no governo Lula, escândalo conhecido como “mensalão”. Provocou muito incômodo no governo e a ira do PT.

Indicado por Dilma em abril para assumir a liderança do governo no Senado, Delcídio logo se aproximou do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e, nos últimos dias, tentava acelerar a votação das medidas do ajuste fiscal. “Temos de sair logo dessa pauta do ajuste para entrar na agenda da retomada do crescimento”, dizia ele.

Apelidado de “Antonio Fagundes do Pantanal” por sua vasta cabeleira branca, o senador de 60 anos brincava, nos bastidores, que era preciso criar o Ministério do “Vai Dar Errado” para alertar o governo de todos os “jabutis” e “cascas de banana” que eram postos pela oposição e até por aliados no caminho do Palácio do Planalto.

Engenheiro eletricista, Delcídio preside a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado e é conhecido por ter bom trânsito com o PMDB e com parlamentares de oposição, especialmente do PSDB e do DEM. Mesmo antes do escândalo provocado por sua prisão, dirigentes do PT diziam que ele “nunca foi muito petista”. Diante desse quadro, o partido não hesitou em rifá-lo.

Delcídio concorreu ao governo de Mato Grosso do Sul no ano passado. Foi derrotado no segundo turno por Reinaldo Azambuja (PSDB). Foi diretor da Eletrosul no começo da década de 90 e chegou a ser ministro de Minas e Energia, por nove meses, durante o governo de Itamar Franco. O senador entrou no PT pelas mãos de Zeca do PT, que foi governador do Mato Grosso do Sul e apresentou o pecuarista José Carlos Bumlai a Lula. Bumlai foi preso na terça-feira, na 21.ª fase da Lava Jato, batizada de “Passe Livre”.

Com o nome citado em delações premiadas, Delcídio havia sido excluído das investigações pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Em março, a pedido de Janot, o Supremo decidiu arquivar uma investigação contra ele, considerada “muito vaga”. No ano passado, o lobista Fernando Baiano disse que repassou uma quantia entre US$ 1 milhão e US$ 1,5 milhão a Delcídio porque Nestor Cerveró, então diretor de Internacional da Petrobrás, afirmou estar sendo “pressionado” pelo senador. Delcídio negou as acusações.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.