Ex-titulares negam desvios e dizem estar à disposição

Investigados afirmam que não cometeram irregularidades referentes a acusações 'improcedentes'; todos destacam colaboração com a Justiça

Luísa Martins e Julia Lindner, de Brasília, O Estado de S. Paulo

16 de outubro de 2016 | 06h00

Os ex-ministros dos governos dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff investigados em casos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF) negam ter cometido irregularidades e afirmam que estão à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos.

Edinho Silva afirmou que as investigações do inquérito do “quadrilhão” ainda estão na Procuradoria-Geral da República (PGR) para as primeiras diligências. Sua assessoria disse que não sabe o que vincula o petista à suposta organização criminosa. Jaques Wagner nega que tenha cometido irregularidades.

Erenice Guerra ressaltou que sempre se colocou à disposição das instituições, prestando todos os esclarecimentos. Sua defesa alegou que as acusações em relação ao caso de Belo Monte são “improcedentes”.

Atualmente ligado ao governo Michel Temer, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) destacou que não tem relação com nenhum assunto da obra de Belo Monte e que está à disposição para qualquer esclarecimento. “Espero que as investigações possam correr rapidamente para esclarecer os fatos”, afirmou Jucá. Ele não comentou as investigações sobre recebimento de propina na Petrobrás.

Em relação às acusações da suposta tentativa de obstrução da Justiça, baseadas na delação do senador cassado Delcídio Amaral (sem partido-MS), o ex-advogado-geral da União e ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo disse que o delator quis “se vingar” de seu antigo partido, o PT.

Aloizio Mercadante, ex-ministro da Educação, afirmou que “jamais tentou impedir a delação (de Delcídio), intercedeu junto a qualquer autoridade ou buscou qualquer vantagem pessoal” com o ex-senador, enfatizando continuar “à inteira disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários”.

A defesa de Antonio Palocci, que está preso na Lava Jato, afirmou que ele é “absolutamente inocente”. Segundo o seu advogado, José Roberto Batochio, a única evidência utilizada pela Polícia Federal contra o seu cliente é a planilha da Odebrecht, em que Palocci é apontado pelos investigadores como o “italiano”, que teria movimentado R$ 128 milhões para a campanha de Dilma.

Delações. A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) afirmou que, como ré, terá o benefício da dúvida no julgamento do Supremo e a oportunidade de provar a sua inocência e a de seu marido, o também ex-ministro Paulo Bernardo, réu no mesmo processo. “São inúmeras as contradições nos depoimentos dos delatores”, disse.

A defesa do senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) comentou que as acusações contra ele são baseadas em depoimentos frágeis de colaboradores duvidosos.

O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) diz ter sido alvo de uma “denúncia falsa, uma armação” e que, à época, ofereceu seus sigilos fiscal, bancário e telefônico.

Procurados, os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, além dos ex-ministros Ricardo Berzoini, Aguinaldo Ribeiro e Edison Lobão, não se manifestaram.

O Estado não obteve retorno dos demais citados: José Dirceu, Anderson Adauto, Agnelo Queiroz, Alfredo Nascimento, Guido Mantega, Silas Rondeau, Mario Negromonte, Pedro Novais, Fernando Pimentel, Carlos Gabas e Ideli Salvatti.

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