Ex-superintendente da Sudam não se lembra de aprovar projeto

Acusado de praticar na extinta Sudam um esquema de desvio de recursos públicos, favorecimento político e apadrinhamento empresarial, o ex-superintendente da autarquia José Arthur Guedes Tourinho afirmou que não se recordava de haver aprovado a carta-consulta da empresa Usimar Componentes Automotivos, que tinha projeto de R$ 1,38 bilhão no órgão. Ouvido na sede da Polícia Federal (PF), em Belém, ele disse ser inocente, acrescentando que sempre cumpriu a legislação que regulava a liberação de incentivos fiscais. "Tudo o que fiz sempre foi dentro da lei", declarou Tourinho, em depoimento prestado ao delegado da PF do Maranhão, Roberto das Chagas Monteiro.A Usimar é acusada de fraude e suborno de servidores da Sudam. Vinte funcionários da extinta autarquia foram arrolados no inquérito e podem ser demitidos a bem do serviço público, se forem condenados na Justiça Federal. Monteiro interrogou Tourinho por mais de três horas e o depoimento acabou na madrugada de sábado. A Usimar recebeu R$ 44,1 milhões da Sudam, embora não tivesse comprovado a contrapartida de R$ 102 milhões no projeto com a compra de máquinas e equipamentos.Tourinho teve dificuldade para responder a uma pergunta do delegado, sobre o motivo da aprovação da carta-consulta da Usimar em apenas quatro dias, quando, normalmente, um documento dessa natureza levava até mais de quatro meses para ser aprovado."Não me recordo desse fato", respondeu o ex-superintendente. "Eu nem mais me lembrava que havia aprovado essa carta-consulta. Vim tomar conhecimento disso pela imprensa." Ele negou a responsabilidade pela liberação dos R$ 44,1 milhões à Usimar. "Eu só aprovei a carta-consulta, que era uma resposta da Sudam atestando a viabilidade do projeto da empresa."Tourinho foi exonerado do cargo pelo então ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, seis dias depois de ter assinado o documento em favor da Usimar.O sucessor de Tourinho na Sudam, Maurício Vasconcelos, como ele, foi também indicado para o cargo pelo senador Jader Barbalho (PMDB-PA). Vasconcelos deverá ser ouvido pela PF em data ainda a ser marcada pelo delegado Roberto Monteiro.

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