Ex-superintendente acusa Caixa de politizar gestão

Funcionário de carreira diz ter sofrido pressão de políticos do PT desde que se desfiliou do partido, em 2005; para instituição, remanejamento é técnico

Fausto Macedo, O Estadao de S.Paulo

24 de julho de 2007 | 23h00

Dizendo-se "injustiçado e indignado", Miguel Sampaio Júnior - substituído dia 16 no cargo de superintendente regional da Caixa Econômica Federal no Vale do Paraíba (SP) - cobra "ética e transparência" da direção da instituição. Sampaio é um dos 15 nomes que a Caixa trocou de uma só vez em 7 Estados e no Distrito Federal. Funcionários da Caixa e colegas de Sampaio sustentam que ele e outros caíram para dar lugar a apadrinhados do PT. A instituição rebate a versão e alega que o remanejamento é rotineiro, de caráter "estritamente técnico e despolitizado".A saída de Sampaio - 33 anos de carreira no banco, 12 como superintendente, há mais de 4 no Vale - abriu polêmica na Caixa depois que chegaram às mãos de quase todos os superintendentes regionais cópias de uma carta que ele enviou à presidente do banco, Maria Fernanda Ramos Coelho, argumentando que não tem padrinhos políticos. Denuncia ter sofrido pressões de políticos do PT depois que se desligou do partido. A superintendência do Vale fica em São José dos Campos."Passado o período eleitoral, fui muito pressionado pelos prefeitos da região por conta do escândalo que envolvia o PT (mensalão) e, para preservar a Caixa do envolvimento político, me desliguei do partido no dia 29 de setembro de 2005", ele escreveu. "Comecei a sofrer pressões de deputados e vereadores do PT da região. Onde está a ética? A transparência? Não tenho padrinhos políticos (...) é condição fundamental para se fazer carreira na Caixa."A queda de Sampaio foi sacramentada sexta feira, 13, quando, segundo diz, foi informado às 17h44, por telefone, pela direção do banco, que estava sendo afastado a partir do dia 16. Ele assegura que não chegou ao cargo "por indicação política e sim pela seleção realizada em 1995 através da Fundação Getúlio Vargas, por mérito". Diz que até meados de 2003 não se interessava em participar da política no Vale. "Após a vitória do Lula fui convidado pelo PT da região para compor uma frente e concorrer à Prefeitura de Guaratinguetá (SP)." Sampaio, que não foi eleito, afirma que políticos do PT queriam fazer uso político do banco. "As pressões aumentaram, chegando a ficar insustentável quando assinamos em junho convênio com a CDHU que beneficiava as famílias mais pobres, mas prejudicava as ambições políticas desse grupo, uma vez que a Prefeitura de São José dos Campos é administrada pelo PSDB."QUALIFICADOO novo superintendente da Caixa no Vale é Paulo José Galli, considerado profissional qualificado. Formado em gestão financeira, Galli tem 24 anos de Caixa e há mais de 20 ocupa funções gerenciais. "A substituição funcional (de Sampaio) decorreu de renovação dos quadros, por critérios estritamente técnicos", esclareceu a Caixa. As mudanças, destacou o banco, são realizadas periodicamente. Todos os novos superintendentes são funcionários de carreira, não foram escolhidos por critérios políticos, informou o órgão. "As mudanças fazem parte de uma reformulação estrutural."O deputado estadual Carlinhos Almeida (PT), que é da região do Vale, declarou: "É normal na administração pública a substituição. Ele não reclamou quando entrou na superintendência, ainda no governo FHC. E quando ele entrou alguém teve que sair."

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