ED FERREIRA/ESTADÃO
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Ex-senador que atirou em rival dará nome a prédio

Direção do Senado decide batizar local de treinamento de funcionários como Ronaldo Cunha Lima, que em 1993 disparou duas vezes contra Tarcísio Burity

Ricardo Brito , O Estado de S. Paulo

14 de outubro de 2014 | 22h57

BRASÍLIA - O Senado decidiu batizar de “Edifício Senador Ronaldo Cunha Lima” o espaço físico onde funciona o Programa Interlegis, que treina servidores do Senado e de outros poderes legislativos País afora. O homenageado terá direito ainda a um busto de bronze. 

Ronaldo Cunha Lima foi um governador da Paraíba pelo PMDB que, em novembro de 1993, tentou matar seu antecessor no cargo, Tarcísio Burity, na época do PFL (hoje DEM). Após entrar no restaurante e se deparar com o desafeto, Ronaldo efetuou dois disparos com arma de fogo contra o adversário, um atingindo a boca e outro no tórax. Burity sobreviveu aos tiros e morreu 10 anos depois, vítima de problemas cardíacos. 


Ronaldo chegou a ser detido na época pela Polícia Federal. O ataque, conforme relatos, teria sido motivado pelas acusações de corrupção que Burity fez ao filho de Ronaldo, Cássio Cunha Lima, então superintendente da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Cássio hoje é senador pelo PSDB e concorre no 2º turno ao governo paraibano contra o candidato à reeleição, Ricardo Coutinho (PSB). Ele já foi governador duas vezes. Em 2006, no seu segundo mandato de governador, enfrentou longo processo no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), sob acusações de compra de votos. Em 2009, Cunha Lima foi cassado e perdeu o mandato. 

A tentativa de homicídio nunca chegou a ser julgada pela Justiça porque uma série de manobras jurídicas adiaram o julgamento do caso. Em outubro de 2007, Ronaldo, filiado ao PSDB, renunciou ao mandato de deputado federal, o que fez o processo deixar o Supremo Tribunal Federal e voltar para a Justiça comum. Em sua defesa, o então parlamentar alegou que Burity o ameaçara e que não havia premeditado o crime. Ele morreu em julho de 2012, sem ter sido julgado. Ronaldo lutava contra um câncer no pulmão desde 2011 e passou um longo período em coma induzido. 

A decisão de colocar o nome no prédio e esculpir um busto ocorreu na semana passada pela Comissão Diretora do Senado, órgão responsável por cuidar de deliberações administrativas da Casa. Em nota divulgada ontem, a assessoria de imprensa do Senado informou que a decisão de se homenagear Ronaldo ocorreu em novembro de 2012, após aprovação unânime no plenário do Senado. 

Autor. Segundo a Casa, a proposta partiu do presidente do DEM, senador Agripino Maia (RN). Não há prazo, segundo informam, para a cerimônia de nomeação do prédio e inauguração do busto. O Senado tem outros homenageados com carreira polêmica. Caso de Filinto Müller (1900-1973), que dá nome a uma ala da Casa. Müller presidiu a Arena, partido que deu sustentação ao regime militar, e há um projeto em tramitação no Senado para alterar o nome para Luís Carlos Prestes (1898-1990), um dos ícones da esquerda brasileira. 

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