Ex-secretário de Yeda quer divulgação de diálogo gravado

Vice da governadora gravou conversa onde ex-chefe da Casa Civil fala de financiamento de campanhas

Sandra Hahn, da AE e Elder Ogliari, de O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2008 | 19h44

No dia em que sua exoneração foi publicada no Diário Oficial do Estado, o ex-chefe da Casa Civil do governo Yeda Crusius  Cezar Busatto (PPS) reiterou nesta segunda-feira, 9, que foi "impreciso" e deu margem à "mal-entendidos" quando abordou o financiamento de campanhas por meio de estatais em conversa com o vice-governador do Estado, Paulo Afonso Feijó (DEM). O diálogo foi gravado por Feijó e teve 22 minutos do conteúdo divulgado na sexta-feira pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), que investiga esquema de fraude na autarquia.     Veja também: Gravação de conversa abre crise no governo Yeda, no RS Deputados do PT pedem saída de governadora do RS PP e PMDB rompem com chefe da Casa Civil do RS     Convidado pela CPI a dar explicações sobre a conversa, Busatto pediu que todo o conteúdo do diálogo que teve com o vice-governador seja divulgado e voltou a dizer - como havia feito ainda na sexta-feira -, que foi vítima de uma "tocaia", referindo-se ao fato de não saber que estava sendo gravado, e que Feijó tenta criar condições políticas para um impeachment da governadora Yeda Crusius (PSDB). Segundo Feijó, a conversa teve uma hora e vinte minutos e foram excluídos trechos que não dizem respeito ao "interesse público" ou ao governo.     Na conversa, Busatto afirma que "todos os governadores só chegaram aqui com fonte de financiamento; hoje é o Detran, no passado foi o Daer (Departamento Autônomo de Estradas e Rodagem)". Aos deputados da CPI, declarou que "há várias formas que são legais e lícitas de financiamento de partidos através (sic) de órgãos públicos no modelo político e eleitoral vigente". Ele citou a distribuição de cargos comissionados e funções gratificadas nos órgãos públicos, "cujos titulares doam voluntariamente parcelas de seus salários aos partidos". Além da contribuição direta, Busatto recorreu à "projeção política" conquistada por ocupantes de cargos públicos indicados pelos partidos junto a doadores privados, que contribuem às campanhas.     Confrontado por deputados da oposição com a informação de que nem Detran ou Daer detém número expressivo de cargos comissionados, Busatto admitiu que, no caso do órgão de trânsito, o financiamento a partir das contribuições destes funcionários é pouco expressivo.     Em entrevista, o vice-governador negou que a visita de Busatto tenha sido em tom conciliador, como relatou o ex-secretário, e voltou a dizer que houve tentativa de silenciá-lo. "Este mesmo senhor já tinha me feito outras propostas escusas antes, sempre tentando trocar cargos e poder por posturas partidárias", declarou.     O vice-governador defendeu a atitude de gravar a conversa, o que disse ter feito para se proteger. "De que outra forma esse submundo seria posto às claras?", indagou. Sobre a manifestação do senador Heráclito Fortes (DEM-PI), que decidiu pedir sua expulsão, Feijó afirmou que ele desconhece os fatos e o deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS) irá levar informações ao partido.

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