Ex-secretário de Tocantins teve projetos na Sudam

Um projeto de Tocantins, considerado irregular pelo Ministério Público Federal, pode ter sido beneficiado com recursos da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) por influência política de um ex-secretário do governo local. A indústria de tubos e conexões Tubotins recebeu dinheiro público quando seu proprietário, Aluísio Gregório Motta Júnior era o representante de Tocantins em São Paulo, e responsável pela vinda de empresários para a região. A empresa chegou a ter três parcelas de recursos em 90 dias. Antes deste projeto, Motta havia recebido financiamento para outro projeto, o Biscoitos Princeza, que funcionou por dois e depois fechou.Na semana passada, o governo de Tocantins confirmou que Motta fez parte da administração do governador Siqueira Campos (PFL-SP), entre junho de 1996 e março de 1998, mas foi demitido justamente por não separar suas empresas do cargo que tinha. "O governador o exonerou no momento em que percebeu que ele estava misturando negócios particulares com o serviço público", afirmou a Secretaria de Comunicação do governo, não explicando qual seria o motivo. O governo esclareceu, ainda, que todo o funcionário que estiver nesta mesma condição, também será demitido.Hoje, o senador Eduardo Siqueira Campos (PFL-TO), filho do governador, afirmou que não havia nenhuma vinculação do ex-secretário com seu pai na área empresarial. "Ele era o responsável pela apresentação de Tocantins entre os empresários paulistas que quisessem investir no Estado", afirmou o senador. Segundo ele, o governador Siqueira Campos não conhecia as atividades empresariais do seu ex-secretário, a não ser da fábrica de biscoitos, que funcionou por dois anos.Na verdade, partiu do governo de Tocantins as primeiras suspeitas sobre indícios de fraudes na Sudam. Alertado sobre um cadastro da empresa Paraíso Agroindustrial de Alimentos, dos irmãos Soares - aliados políticos do presidente do Senado, Jader Barbalho, em Altamira - , o corregedor da Secretaria de Fazenda, Rodrigo Lacombe, denunciou o fato ao procurador da República no Estado, Mário Lúcio de Avelar. A partir daí, o caso foi entregue à Polícia Federal que investigou todo o esquema de irregularidades envolvendo diversos projetos financiados pela Sudam.A Tubotins teve seu projeto aprovado pela Sudam em abril de 1997, de aproximadamente R$ 13 milhões, justamente no período em que Motta foi secretário do governo. O mais impressionante é que a empresa chegou a receber três liberações de R$ 2,9 milhões num espaço de apenas dois meses, quando uma portaria da própria autarquia determina que parte dos recursos só podem ser destinados aos empreendimentos que tiverem 70% de implantação. E este não foi o caso da Tubotins, que nem começou a funcionar e hoje se restringüe à alguns galpões em Gurupi, interior do Estado.A Tubotins é umas das 34 empresas do Estado que será investigada pelo Ministério Público Federal e seu projeto foi montado pelo escritório Prestimus Consultoria, de São Paulo, responsável por 22 dos 274 projetos aprovados nos últimos quatro anos, ficando atrás apenas de Maria Auxiliadora Barra Martins, acusada de liderar as fraudes na liberações de recursos da Sudam, e que teve 68 projetos aprovados no período. O Estado tentou localizar Aluísio Motta, mas seu celular estava fora de área de cobertura.

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